PP de Minas contraria comando e apoia Serra

No Estado, partido é um dos mais fiéis aliados do ex-governador e senador eleito Aécio Neves; direção nacional se aliou a Dilma

Eduardo Kattah, O Estado de S.Paulo

16 Outubro 2010 | 00h00

Em posição contrária ao comando nacional do partido, o diretório do PP em Minas Gerais anunciou ontem que não seguirá a orientação de apoio à candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff. Em carta assinada pelo presidente estadual da legenda, Alberto Pinto Coelho, o diretório mineiro afirmou que "apoia de forma irrestrita" à candidatura do presidenciável tucano José Serra.

Coelho é presidente da Assembleia Legislativa e vice-governador eleito na chapa encabeçada pelo governador Antonio Anastasia (PSDB). O PP de Minas é um dos mais fiéis aliados do ex-governador e senador eleito Aécio Neves (PSDB).

A carta, assinada também pelo prefeito de Uberlândia, Odelmo Leão, foi encaminhada ao presidente nacional do PP, senador Francisco Dornelles (RJ), que anteontem havia anunciado o apoio formal do partido à candidatura da presidenciável petista. Dornelles e Aécio são primos.

Socorro. O apoio da cúpula nacional do PP à candidatura de Dilma no segundo turno veio um dia após o governo federal socorrer a estatal goiana de distribuição de energia Celg com um empréstimo de R$ 3,7 bilhões.

O anúncio de anteontem foi feito por Dornelles, ao lado do governador de Goiás, Alcides Rodrigues (PP), do ministro das Cidades, Marcio Fortes (PP), e da candidata Dilma Rousseff. O presidente nacional do PP reiterou a adesão de 22 dos 27 diretórios estaduais à candidatura petista. Mas adiantou que quem apoiar o presidenciável tucano José Serra não será punido. "Não administro este partido na base da chibata", argumentou. "Estamos aqui para ratificar a posição da maioria, que é de apoio à ex-ministra", afirmou Dornelles.

Ele reuniu anteontem em sua residência, em um almoço, parte da cúpula do PP para dar uma demonstração de que o partido continua apoiando a petista. No primeiro turno, a sigla também aderiu à candidatura de Dilma. Apesar do gesto de apoio explícito, os dirigentes do partido estão preocupados com a queda da petista nas pesquisas.

Coerência. No comunicado, os representantes do PP mineiro argumentam que a decisão visa manter "a coerência de apoio à aliança vitoriosa" no Estado, citando os tucanos Antonio Anastasia, governador eleito, e Aécio Neves, eleito senador, e o ex-presidente Itamar Franco, do PPS, também eleito para uma cadeira no Senado. "A direção estadual informa que a posição firmada faz parte de uma decisão colegiada", diz a carta.

Na quinta-feira, após uma reunião com Anastasia no Palácio Tiradentes, os sete deputados estaduais do PV de Minas não aguardaram a convenção do partido marcada para este domingo - quando será definida a posição da legenda no segundo turno das eleições presidenciais - e também declararam apoio ao tucano José Serra.

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