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Prefeitura do Rio patrocina restauro de imóveis históricos no centro

Roberta Pennafort - O Estado de S. Paulo

22 Janeiro 2014 | 18h 25

Valores vão de R$ 200 mil a R$ 400 mil e podem ser usados para recuperação de fachadas, telhados, instalações elétrica e hidráulica e outras melhorias estruturais

RIO - Há quatro anos, o engenheiro naval Wilson Senna, de 58 anos, pagou R$ 350 mil por um sobrado parcialmente destruído na área da Lapa, no centro do Rio, cercado por moradores de rua e usuários de crack. Não é um imóvel qualquer. Trata-se de uma casa de 1906, em um bairro histórico e localizada na rua onde um dia moraram o poeta Manuel Bandeira e a compositora Chiquinha Gonzaga. Sem dinheiro para a reforma, ele agora tenta conseguir uma verba da Prefeitura para tocar as obras.

Entre dezenas de proprietários, ele participou de um seminário promovido pelo Instituto dos Arquitetos do Brasil (IAB) e o Instituto Rio Patrimônio da Humanidade (IRPH) em que foram apresentados os critérios de seleção de projetos de restauração a serem contemplados pelo Programa de Apoio à Conservação do Patrimônio Cultural.

Imóveis particulares das regiões do centro, Catumbi, Cidade Nova, Catete e Glória, residenciais ou comerciais, serão escolhidos por uma comissão da Prefeitura, que vai disponibilizar R$ 12 milhões no total. É preciso que sejam tombados pelo Município.

Os valores vão de R$ 200 mil a R$ 400 mil e podem ser usados para recuperação de fachadas, telhados, instalações elétrica e hidráulica e outras melhorias estruturais. ONGs, escritórios de arquitetura e produtores também podem participar, desde que tenham a anuência dos proprietários.

Wilson Senna vai pleitear R$ 400 mil para recompor o telhado e a fachada de seu sobrado. "Minha mulher acha uma loucura, mas eu vislumbro o potencial. Todas as casas da vizinhança estão detonadas, mas, por um lado, isso é bom, pois ninguém descaracterizou a fachada nem instalou vidros fumê nas janelas. Quero morar lá".

Obras. Nove projetos já foram escolhidos em 2013 e receberão R$ 2,4 milhões. As obras devem começar em breve. O seminário foi organizado para informar melhor possíveis proponentes, pois a procura tem sido pequena. As inscrições serão aceitas até 25 de fevereiro. "O centro é muito esvaziado. Anunciamos nos pólos empresariais, colocamos faixas nas ruas", conta o presidente do IRPH, Washington Fajardo.

Um decreto do prefeito Eduardo Paes de 2013 abriu o caminho para que fosse possível investir dinheiro público em imóveis privados. "Estamos há 30 anos dizendo que a paisagem cultural é importante. O efeito positivo da restauração de um imóvel é muito grande, pois contamina os vizinhos".

Primeira região da cidade a ser ocupada, o centro tem muitos imóveis do século 19 em péssimas condições; em parte, fechados. No programa do IRPH, os que tiverem em piores condições têm mais chances de serem selecionados.