Prefeitura joga água em túnel para provocar deslizamentos

Manobra divide opiniões no Rio; bloqueio do Rebouças causa bate-boca entre Estado e prefeitura

Pedro Dantas, RIO, O Estadao de S.Paulo

27 Outubro 2007 | 00h00

Para acelerar a retirada das 7 mil toneladas de lama da encosta acima do Túnel Rebouças, a Prefeitura do Rio utilizou jatos d?água, um deles com o auxílio de uma escada Magirus. A previsão é de que 600 mil litros de água sejam utilizados na operação. O trabalho dos bombeiros, que jorravam água sobre a encosta para provocar o deslizamento, era interrompido apenas para a retirada da terra da saída do túnel por caminhões da Prefeitura. A estratégia dividiu até os funcionários do município. "Isso vai atrasar a retirada, porque a lama vai ficar molhada e compacta", observou um funcionário da Companhia de Limpeza Urbana (Comlurb). Na Rua Cosme Velho, um dos acessos ao Cristo, turistas se surpreendiam com o rio de lama que escorria ladeira abaixo. As causas para a queda da barreira provocaram nesta sexta-feira um bate-boca entre autoridades municipais e federais. A divulgação por parte do presidente da GEO-Rio, Mauro Baptista, de que as vistorias das encostas seriam feitas por funcionários da Coordenadoria de Vias Especiais, o órgão municipal de trânsito, apenas com base na identificação visual revoltou o secretário municipal de Obras, Eider Dantas. "Isso é conversa fiada. Fazemos vistorias mensalmente", rebateu. No entanto, o secretário mudou as versões várias vezes para falar sobre a possível causa do deslizamento da encosta entre o túnel e a Favela do Cerro-Corá. Primeiramente, Dantas atribuiu o episódio a um vazamento de uma tubulação de água clandestina. Em seguida, disse que a causa era o vazamento de um encanamento da Companhia Estadual de Águas e Esgotos (Cedae). Ontem, afirmou que a causa poderia ser uma "mina de água potável". Para o presidente da Cedae, Wagner Victer, a falha na drenagem da encosta do túnel pode ter provocado os deslizamentos, que soterraram os acessos. O serviço de drenagem é de responsabilidade da prefeitura. Ele levantou a suspeita ao isentar a companhia que dirige de culpa pelo desabamento. "Não vou aceitar receber a culpa por algo impossível. Mesmo que todos os moradores da favela decidissem, num ato de rebeldia, romper seus canos, mesmo assim não poderia haver queda de encostas porque o sistema de drenagem deveria funcionar. E se vazamento de ?gato? (ligação irregular) derrubasse encosta, então todas as favelas do Rio já teriam caído." Segundo Victer, a prefeitura nem comunicou formalmente a Cedae dos deslizamentos. Apesar disso, a companhia enviou uma equipe ao local do túnel e cortou, preventivamente, o fornecimento da Favela Cerro-Corá.

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