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Prefeitura recolhe 23 moradores de rua da Cracolândia no Rio

20 Maio 2010 | 17h 50

Consumo da droga no Rio se espalhou por toda cidade; em 2009, o número de apreensões de crack subiu 69% em relação a 2008

 

SÃO PAULO - A operação Choque de Ordem recolheu na manhã desta quinta-feira, 20, 23 moradores de rua - sendo três menores - na Cracolândia, na Favela do Jacarezinho, na zona norte do Rio.

 

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Segundo a Prefeitura, os moradores acolhidos são usuários de crack que circulavam pelo local. Com eles, os agentes da Secretaria Especial da Ordem Pública (Seop) apreenderam um cachimbo de crack, 10 facas e um estilete. Eles foram encaminhados para a Fundação Leão XIII.

 

Durante a ação, 39 construções irregulares foram demolidas. Na maioria dos imóveis funcionavam bares que foram erguidos próximos à linha do trem, no ramal Belford Roxo da Supervia. As famílias que ocupavam parte das construções irregulares foram cadastradas para uma futura realocação.

 

LIMINAR

 

Nesta semana, o Ministério Público obteve uma liminar que determina o recolhimento e acolhimento de crianças e adolescentes que estão na região conhecida como Cracolândia.

 

De acordo com o MP, a ação foi proposta após a Secretaria Municipal de Assistência Social informar que é impossível realizar o trabalho num local tão perigoso como a Cracolândia.

 

 

AUMENTO NO CONSUMO

 

Depois de ter estrangulado uma amiga em outubro do ano passado, Bruno Kligierman Melo, de 26 anos, acordou sem saber o que tinha acontecido. O músico, viciado em crack, confessou o crime, mas disse à Justiça que não se lembrava de ter matado a estudante Bárbara Chamun Calazans quando encontrou o corpo no chão de seu apartamento. Kligierman aguarda na prisão o julgamento do caso e participa de encontros dos Narcóticos Anônimos no presídio.

 

A explosão recente do consumo de crack no Rio fez com que a droga - inicialmente consumida predominantemente em favelas da zona norte e seus arredores - se espalhasse pela cidade. Kligierman era morador do Flamengo, bairro de classe média da zona sul, e usava crack havia seis anos.

 

"O comércio de crack no Rio já não está mais setorizado. Há cerca de um ano e meio, a droga passou a ser encontrada em praticamente todos os morros da cidade", afirmou o delegado-assistente da Delegacia de Combate às Drogas (DCOD), Alessandro Petralanda. "Hoje, a polícia apreende crack em favelas da zona sul, da zona norte e da Baixada Fluminense."

 

No ano passado, o número de operações policiais com apreensões de crack subiu 69% em relação a 2008. Segundo dados do Instituto de Segurança Pública, foram 2.051 apreensões em 2009 contra 1.212 no ano anterior.

 

 

LIGAÇÃO COM PCC

 

Traficantes do Rio sempre resistiram ao comércio de crack devido ao baixo valor comercial e ao alto poder destrutivo do entorpecente. "O traficantes estavam receosos porque o vício que a droga provoca é tão grande que o usuário vira um zumbi. Eles acreditavam que a circulação dessas pessoas poderia chamar a atenção da polícia", explica Petralanda.

 

A droga teria começado a se espalhar pela zona norte da cidade depois que a facção paulista Primeiro Comando da Capital (PCC) passou a impor a compra de crack como condição para o fornecimento de cocaína a quadrilhas cariocas. "De repente, algumas favelas começaram a vender a droga e foram seguidas por outras que não queriam perder esse mercado", disse o delegado da DCOD.

 

Com informações da Central de Notícias e da Sucursal do Rio.

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