Presidente da Petrobrás acusa FHC

O presidente da Petrobrás, José Sérgio Gabrielli, decidiu entrar na campanha eleitoral e divulgou ontem uma nota acusando o governo Fernando Henrique Cardoso de preparar a Petrobrás para privatização. A nota foi divulgada como resposta à polêmica criada entre a candidata do PT, Dilma Rousseff, e o ex-diretor-geral da Agência Nacional do Petróleo (ANP) David Zylbersztajn, após o debate de domingo.

Nicola Pamplona / RIO, O Estado de S.Paulo

14 Outubro 2010 | 00h00

"Para o governo FHC, a Petrobrás morreria por inanição. Os planos do governo do então presidente Fernando Henrique Cardoso eram para desmontar a Petrobrás e vendê-la", afirmou Gabrielli no comunicado, que foi distribuído pelo sistema de divulgação da própria companhia. O texto veio em e-mail timbrado com a marca da estatal.

As declarações de Gabrielli foram motivadas por um comunicado divulgado anteontem por Zylbersztajn, que negava acusações feitas por Dilma no debate. Para o ex-diretor da agência, "a candidata delira, talvez motivada por assombrações que lhe assomam, vendo uma privatização em cada esquina". Zylbersztajn foi citado por Dilma no debate como assessor do candidato José Serra, o que nega ser.

No comunicado da Petrobrás, Gabrielli diz que uma das estratégias usadas para "preparar" a Petrobrás para a privatização foi a divisão da empresa em unidades autônomas de negócios, que seriam repassadas à iniciativa privada. "Além dos aspectos econômicos, o desmonte da companhia transformada em um conjunto de unidades de negócios trazia perdas em tecnologia, engenharia, pessoal", completou o executivo.

Gabrielli acusa ainda Zylbersztajn de defender a privatização do pré-sal, ao emitir posição contrária à mudança de regime de concessão de áreas exploratórias para contratos de partilha, proposta do governo Lula.

"Defender o regime de concessões para o pré-sal é defender que a maior parte dos ganhos da atividade seja apropriada pelo setor privado e nesse sentido é defender, sim, a privatização do pré-sal", concluiu.

Inanição

JOSÉ SÉRGIO GABRIELLI

PRESIDENTE DA PETROBRÁS

"Para o governo FHC, a Petrobrás morreria por inanição. Os planos eram para desmontar a Petrobrás e vendê-la"

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