Preso detalha envolvimento da PM em fuga de seqüestrador

Suspeito de negligência na fuga do seqüestrador Cláudio Roberto Moreira Pacheco, o Sussuquinha, dia 29 de maio, o ex-comandante do Batalhão de Choque da Polícia Militar Jorge Duarte teve a situação agravada pelo depoimento de um preso que revelou detalhes do esquema de fuga montado pelo criminoso. O denunciante, um soldado PM preso há dois anos no batalhão por homicídio, disse que Sussuquinha revelou ter um "acordo" com Duarte e com o chefe do serviço reservado do batalhão, capitão Márcio Viegas. O soldado disse que o plano de fuga teve a participação de dez policiais - cinco militares, três civis já identificados e dois federais que foram mencionados pelo denunciante, sem citar nomes. O PM revelou ainda que Sussuquinha teria pago R$ 120 mil para ser transferido da Polinter para o Batalhão de Choque e outros R$ 500 mil para sair da carceragem de segurança máxima. O coronel Jorge Duarte foi exonerado do comando do batalhão e está preso há dez dias, por determinação do secretário de Segurança Pública, Anthony Garotinho. "Ele (o denunciante) disse ter ouvido de Sussuquinha que, se (o seqüestrador) fosse transferido (e não conseguisse fugir), ia se vingar e matar o capitão Viegas e o comandante do batalhão, porque teriam descumprido um acordo. Que acordo é esse ninguém sabe", disse Garotinho. O envolvimento de policiais com o seqüestrador está sendo investigado em inquéritos das polícias Civil e Militar e pela Corregedoria Geral Unificada. "É para evitar qualquer corporativismo. Não transigiremos, não teremos nenhum tipo de acordo com maus policiais", declarou o secretário. Os policiais militares citados, todos do Batalhão de Choque, e os três civis, da Polinter, foram afastados das funções. Garotinho lembrou fatos que indicariam pelo menos omissão do ex-comandante do Batalhão de Choque. "Uma fuga como essa só aconteceria com conivência da polícia. Seria muita ingenuidade achar que os policiais ficariam impunes", disse o secretário. "Houve uma denúncia de que haveria uma fuga e o efetivo, em vez de ser aumentado, foi reduzido. O armamento foi trocado por outro inferior. No mínimo, o comandante do batalhão prevaricou", afirmou Garotinho.

Agencia Estado,

12 Junho 2003 | 18h18

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.