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Bruno Zanardo/SECOM AM

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Presos apontados como responsáveis por massacre são transferidos

Secretário do Amazonas afirma que eles corriam risco de morte dentro das penitenciárias do Estado

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Márcia Oliveira ,
Especial para o Estado

11 Janeiro 2017 | 11h24
Atualizado 11 Janeiro 2017 | 14h41

MANAUS - Os 17 detentos suspeitos de terem ordenado e participado do massacre ocorrido dentro do Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj), em Manaus, na virada do ano, serão transferidos nesta quarta-feira, 11, para presídios federais. A informação é da Secretaria de Administração Penitenciária do Amazonas (Seap).

De acordo com o titular da pasta, Pedro Florêncio, por serem apontados como chefes de facção, os presos estavam correndo risco dentro das cadeias do Amazonas.

Entre os detentos está Márcio Ramalho Diogo, o "Garrote", de 34 anos. Segundo a polícia, ele é apontado como o "xerife" do Compaj e seria o responsável por aplicar as penalidades aos demais presos de acordo com as regras da Família do Norte (FDN).  

Foram divulgados os nomes dos 17 presos que serão transferidos. Além de Diogo, estão na lista Janes do Nascimento Cruz, Cláudio Dayan Felizardo Belfort, André Said de Araújo, Florêncio Nascimento Barros, José Bruno de Souza Pereira, Gileno Oliveira do Carmo, Demétrio Antonio Matias, Wilson Guimarães Fernandes, Fábio Palmas de Souza, Lenon Oliveira do Carmo, Heliuton Cabral do Carmo, Eduardo Queiroz Araújo, Reginaldo Muller Neto, João Ricardo Santos da Costa, Adailton Farias da Silva e Rivelino de Melo Muller.

Segundo a polícia, os detentos foram levados para o Batalhão de Choque, onde passarão por triagem. Depois, devem ser encaminhados para o Aeroporto Internacional Eduardo Gomes. A Seap não informou para qual presídio eles serão enviados.

MASSACRE EM MANAUS

Um sangrento confronto entre facções no Complexo Penitenciário Anísio Jobim, em Manaus, deixou 56 mortos entre a tarde de 1º de janeiro e a manhã do dia 2. A rebelião, que durou 17 horas, acabou com detentos esquartejados e decapitados no segundo maior massacre registrado em presídios no Brasil - em 1992, 111 morreram no Carandiru, em São Paulo. Treze funcionários e 70 presos foram feitos reféns e 184 homens conseguiram fugir. Outros quatro presos foram mortos no Instituto Penal Antonio Trindade (Ipat), também em Manaus. Segundo o governo do Amazonas, o ataque foi coordenado pela facção Família do Norte (FDN) para eliminar integrantes do grupo rival, o Primeiro Comando da Capital (PCC). 

Cinco dias depois, o PCC iniciou sua vingança e matou 31 detentos na Penitenciária Agrícola de Monte Cristo (PAMC), em Boa Vista, Roraima. A maioria das vítimas foi esquartejada, decapitada ou teve o coração arrancado, método usado pelo PCC em conflitos entre facções. Com 1.475 detentos, a PAMC é reduto do PCC, que está em guerra contra a facção carioca Comando Vermelho (CV) e seus aliados da FDN. Roraima tem 2.621 presos - 900 dos quais pertenceriam a facções, a maioria do PCC. No total, 27 facções disputam o controle do crime organizado nos Estados.

A guerra de facções deixou o sistema penitenciário em alerta, os e governadores de Amazonas, Roraima, Rondônia, Acre, Tocantins, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul pediram ajuda do governo federal com o envio da Força Nacional. Amazonas foi o primeiro Estado a receber. A crise é tamanha que, segundo o Conselho Nacional de Justiça, são necessários R$ 10 bilhões para acabar com déficit prisional no País.

 

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