Presos pai e avô acusados de mandar matar jovem

Eles são suspeitos de pagar para PM vestido de Papai Noel atirar em Renata Archilla em 2001; ela sobreviveu, mas passou por várias cirurgias

Laura Diniz, O Estadao de S.Paulo

13 Agosto 2008 | 00h00

O avô e o pai da publicitária Renata Guimarães Archilla foram presos ontem sob acusação de serem os mandantes de uma tentativa de homicídio contra ela em 2001. Eles foram levados ao Centro de Detenção Provisória (CDP) do Belém, zona leste de São Paulo. Nicolau Archilla Messa, de 81 anos, e Renato Garembeck Archilla, de 49, tiveram a prisão preventiva decretada anteontem. Renata estava parada no trânsito da capital quando um homem, vestido de Papai Noel, se aproximou, simulando distribuir balas. De repente, ele sacou uma pistola e disparou quatro vezes contra seu rosto. O Papai Noel foi identificado como o PM José Benedito da Silva, condenado a 13 anos e 4 meses de prisão, em 2006. O promotor Roberto Tardelli estava convencido de que Silva fora só o executor - os mandantes seriam o avô e o pai da moça, com o objetivo de livrar Renato de pagar pensão e evitar que Renata herdasse seus bens. Filha de uma paixão juvenil de Renato com Iara Guimarães, ela nunca foi reconhecida pela família paterna e se indispôs ao pedir o reconhecimento da paternidade na Justiça. Após a condenação do policial, as investigações continuaram. "Encontramos os telefones do avô na agenda do executor do crime. Descobrimos que o policial trabalhava para o pai e o avô da moça em Sorocaba, onde ele mora e onde os dois têm um haras", afirmou Tardelli. O sigilo telefônico dos envolvidos foi quebrado e, segundo Tardelli, reforça a hipótese de encomenda do crime. "José Benedito morava em Sorocaba e não tinha nada para fazer em São Paulo. Ele veio fantasiado de Papai Noel para matá-la." A juíza Juliana Guelfi, que decretou a prisão, também aceitou denúncia contra Nicolau e Renato por homicídio duplamente qualificado - motivo torpe e recurso que dificultou a defesa da vítima -, com agravante de o crime ter sido cometido contra descendente. O avô negou participação. O advogado dele e do filho, Gustavo Prates, foi procurado pelo Estado, mas não ligou de volta até as 22h30. EMOÇÃO Apesar de classificar a situação como "muito triste", Renata disse ontem que está se sentindo aliviada com a prisão do pai e do avô, porque sente que "existe Justiça no País". "Fiquei surpresa com a prisão, mas, ao mesmo tempo, acredito que nada melhor do que a Justiça para cuidar disso", declarou. Renata disse estar se preparando para o momento em que for chamada a depor diante dos dois. "Penso que vou ser sempre verdadeira e com a força que a minha mãe me ensinou a ter na vida", afirmou. Sobre um possível habeas corpus para livrar avô e pai, a publicitária disse acreditar que não será fácil para eles obterem uma decisão favorável diante das provas. "Talvez apenas meu avô biológico consiga, em razão da idade." A família paterna, diz Renata, nunca a aceitou. "Encontrei os dois umas três vezes, e nem me cumprimentaram. Era uma coisa muito fria. Eles de um lado, eu e minha mãe de outro." Renata se casou e mudou para Florianópolis. "Mudei porque casei e também por segurança", disse. Indagada se teme a guerra declarada pelo Ministério Público Estadual (MPE) a seu pai e a seu avô, a publicitária respondeu que não. "Acho que a verdade precisa aparecer."

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