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Presos são decapitados em rebelião no Paraná

Miguel Portela - Especial para o Estado

24 Agosto 2014 | 17h 45

Negociações foram suspensas até segunda-feira; rebelião começou na manhã de domingo e pelo menos quatro pessoas foram mortas

Texto atualizado às 23h03

CASCAVEL - Sem um sinal para o fim da rebelião na Penitenciária Estadual de Cascavel (PEC), no oeste do Paraná, integrantes da Polícia Militar (PM) e da Secretaria de Justiça do Paraná decidiram suspender as negociações na noite deste domingo, 24. De acordo com a PM, a retomada das conversas com os rebelados será feita na manhã desta segunda-feira, 25.

A rebelião na penitenciária começou por volta das seis da manhã deste domingo, depois que um grupo de detentos rendeu um agente penitenciário que se preparava para abrir as celas para o café da manhã. Pelo menos quatro detentos foram mortos, sendo dois deles decapitados pelos amotinados. 

O motim avançou pela noite e dois agentes penitenciários continuam como reféns dos detentos. Estima-se que mais de 600 presos aderiram ao motim. A unidade conta com 1040 condenados. Por enquanto, o Departamento Penitenciário do Paraná (Depen) não divulgou se há outros feridos dentro do complexo prisional.

A PM não informou o número de policiais que estão concentrados no local, mas estima-se que passa de 200, incluindo grupos de operações especiais. A PM também não quis comentar se há um plano para invasão do prédio, que ficou destruído pela ação dos amotinados.

Para aliviar a tensão, 75 presos foram transferidos para a Penitenciária Industrial de Cascavel, que fica no mesmo complexo da PEC. Eles ficaram isolados em uma ala da penitenciária e estavam sendo ameaçados pelos rebelados. O grupo deve ser transferido na segunda-feira para as Penitenciárias de Francisco Beltrão e de Maringá.

Motim em Cascavel
CGN - Central Gazeta de Notícias/Divulgação

Ao menos quatro detentos foram mortos - dois decapitados - durante rebelião neste domingo, 24, na PEC (Penitenciária Estadual de Cascavel), no oeste do Paraná. De acordo com a Polícia Militar, há vários presos feridos e dois agentes penitenciários foram feitos reféns.

O presidente da Comissão dos Direitos Humanos da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), Subseção de Cascavel, Amarildo Horvath, relatou aos jornalistas que praticamente as 24 galerias do complexo prisional foram danificadas. A rebelião teria sido motivada pelos maus-tratos, qualidade da alimentação e falta de assistência jurídica, uma vez que muitos detentos teriam direito à revisão de pena.

Ao todo cinco presos foram jogados do telhado da penitenciária, que tem capacidade para 1.116 condenados e abrigava 1.040, segundo o Depen. Eles caíram de uma altura de 15 metros e as equipes do Corpo de Bombeiros demoraram cerca de três horas para ter acesso com segurança ao local onde estavam os feridos. Dois deles foram encaminhados com ferimentos diversos para o Hospital Universitário. 

O Departamento Penitenciário informou que um dos mortos é um ex-policial civil que estava preso por comandar um esquema de furto e desvio de peças de veículos apreendidos que ficavam no pátio da 15ª Subdivisão Policial de Cascavel. As negociações com os líderes da rebelião estão sendo feitas pelo diretor do Depen, Cezinando Paredes.