Prévias são alternativa para evitar racha

Para evitar disputa de poder entre Serra e Aécio, tucanos cogitam criar um comando colegiado no PSDB e compromisso de consulta para 2014

Alberto Bombig e Malu Delgado, O Estado de S.Paulo

06 Março 2011 | 00h00

No próximo dia 12, ao se reunirem em São Paulo para a missa em homenagem aos dez anos da morte de Mario Covas, os líderes do PSDB também estarão envoltos em discussões vitais para o futuro do partido, mergulhado em mais uma crise desde a derrota do tucano José Serra para Dilma Rousseff nas eleições presidenciais de 2010. Dentre as propostas, estão a de realização de prévias para a escolha do candidato a presidente em 2014 e a de criação de um colegiado para comandar a sigla.

Essa combinação seria a única forma, de acordo com líderes tucanos ouvidos pelo Estado, de minimizar o conflito de personalidades do partido que Covas ajudou a fundar em 1988 e do qual foi o primeiro candidato a presidente, já no ano seguinte.

Serra ainda não desistiu do sonho de chegar ao Planalto, mas o senador Aécio Neves, ex-governador de Minas Gerais, já trabalha para construir sua candidatura. Por conta disso, ambos estão envolvidos diretamente na eleição para o comando da sigla, marcada para maio.

O deputado Sérgio Guerra (PE), identificado com o projeto de Aécio, vai tentar a reeleição, mas não conta com o apoio do grupo de Serra, que teme ficar sem espaço e estrutura para fazer política. O "colegiado de líderes" manteria Guerra no cargo, mas garantiria um naco de poder a Serra. O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, é um dos que defendem a solução do colegiado nos bastidores. Alckmin, que disputou a Presidência em 2006 e foi derrotado por Lula, hoje busca se equilibrar entre Serra e Aécio.

Junto dessa solução do colegiado viria um compromisso de que, havendo mais de um postulante à Presidência, o partido realizará prévias. "Meu avô sempre foi um homem dedicado ao PSDB. Às vezes, votava contra suas posições para obedecer ao partido. Hoje, vivemos um conflito de posições pessoais", diz Bruno Covas, secretário do Meio Ambiente de São Paulo.

Até 2014, no entanto, o PSDB também precisa definir qual tipo de oposição pretende fazer ao governo Dilma. "O enfrentamento do Covas faz falta ao partido. O eleitor precisa saber claramente quem é a oposição no Brasil", afirma o cientista político Celso Roma, da USP.

Aécio nega que o PSDB viva uma profunda crise de identidade. "Há uma ansiedade enorme e todos perguntam: o que o PSDB vai fazer? Saber administrar o tempo, em política, é a maior das artes. Nós vamos nos fortalecer, fazer uma oposição qualitativa. O PSDB tem que oferecer uma alternativa de País", afirma. Segundo o mineiro, a atual oposição será "muito mais construtiva que o PT no governo Fernando Henrique (1995-2002)".

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