'Prioridade é melhorar os índices sociais e atrair mais indústrias'

ENTREVISTA

, O Estado de S.Paulo

21 Outubro 2010 | 00h00

Teotônio Vilela Filho, governador e candidato à reeleição

Como fazer para aumentar a renda do Estado? Contar com o quê? Aumento de impostos?

Vamos continuar e ampliar nossa política de atração de novas indústrias. Alagoas consolidou sua credibilidade política, os incentivos fiscais e a segurança jurídica necessária para conquistar os investidores, e hoje vive um ciclo de industrialização e desenvolvimento, e de geração de emprego. Em quatro anos, o Estado trouxe 43 novas indústrias, 30 novos hotéis, shoppings, grandes magazines nacionais e hipermercados. São 100 mil novos empregos diretos e indiretos gerados em quatro anos. Os investimentos da iniciativa privada em Alagoas são da ordem de R$ 4 bilhões. Na área de infraestrutura pública, Alagoas atingiu a marca de 159 obras, com R$ 2,4 bilhões investidos entre 2007 e 2010, quase oito vezes mais que nos cinco anos anteriores ao período. Parte das obras vem do PAC, mas com a garantia da contrapartida do governo.

Qual a estratégia principal do seu governo?

Com a moralização da máquina e a reconstrução do serviço público, superamos o marasmo de 30 anos de serviço público estagnado, com a realização de programas de gestão com resultados surpreendentes no aumento de receita e na redução de despesas. Entre 2007 e 2009, com a credibilidade de quem cumpriu todas as metas fiscais estabelecida no acordo da dívida pública, Alagoas conquistou parcerias internacionais, como o Banco Mundial, Banco Interamericano de Desenvolvimento, e, nacionais, como o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico (BNDES) e o Movimento Brasil Competitivo (MBC). Foram renegociados contratos, com redução violenta de gastos e desperdícios. A meta inicial era a economia de R$ 22 milhões e alcançamos mais de R$ 78 milhões de corte de gastos errados ou desperdícios. Todo aumento de renda do Estado será revertido em investimentos na base da pirâmide, a agricultura familiar, as micro e pequenas empresas, os pequenos produtores. Alagoas precisa com urgência superar a pobreza, hoje quase 60% da população encontra abaixo da linha de pobreza.

Quais são suas propostas para desenvolver uma economia sustentável em Alagoas?

Antes de instalar qualquer obra em Alagoas é preciso medir os impactos socioambientais. Não foi fácil, por exemplo, trazer um estaleiro e uma mineradora de grande porte. Os processos de liberação ambiental e dos impactos causados já estão em andamento. Os investimentos realizados em infraestrutura em Alagoas priorizam a melhora da qualidade de vida da população.

O seu governo vai intensificar algum tipo de política diferenciada em relação à educação, saúde ou outro setor básico?

Hoje há uma visão de governo que antes não existia. As obras de saneamento básico ficam escondidas no subsolo, não são como um viaduto ou uma praça nova que embeleza a cidade. Mas os benefícios são inúmeros e indispensáveis à qualidade de vida da população e ao desenvolvimento do Estado. Nunca em tempo algum, em Alagoas, se investiu tanto em saneamento. Conseguimos dobrar a taxa de 15% de cobertura de saneamento no Estado para 30%, com um investimento que soma R$ 1 bilhão.

O apoio aos candidatos presidenciáveis, em segundo turno, será importante em que sentido? Nós provamos que, quando um governo é sério, será sempre respeitado, como aconteceu com o nosso Estado no governo Lula. Nunca, na história de Alagoas, chegaram tantos investimentos. Nossa relação com o governo Lula sempre foi republicana, e espero que não seja diferente com sua sucessora. Mas espero que José Serra seja o vencedor das eleições. Ele inclusive já sinalizou que vai reforçar mais as grandes obras do Estado, como o Canal do Sertão, a maior obra hídrica do PAC no Nordeste, onde já construímos 45 quilômetros.

Qual é a maior prioridade do Estado hoje?

A redução da pobreza e da desigualdade. Precisamos melhorar os indicadores sociais. Alagoas ainda detém o mais baixo IDH, a terceira menor renda per capita do País, uma dívida de mais de R$ 7 bilhões (para uma arrecadação anual de R$ 1,5 bilhão) e o maior índice de concentração de terras. O desafio do governo é discutir as estratégias para que as políticas públicas não fiquem dependentes da transferência de renda.

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