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Procurador-geral adjunto e promotor são baleados na sede do MP do RN

Atirador é um servidor de carreira do Ministério Público do Estado e procurava o procurador-geral; vítimas foram socorridas e passam por cirurgia

Ricardo Araújo, Especial para o Estado

24 Março 2017 | 14h15
Atualizado 24 Março 2017 | 21h29

NATAL - O procurador-geral de Justiça adjunto do Rio Grande do Norte, Jovino Pereira Sobrinho, e o diretor administrativo do Ministério Público (MP) do Estado, promotor Wendell Beetoven Ribeiro Agra, foram baleados na manhã desta sexta-feira, 24, quando trabalhavam na sede do órgão, na zona sul de Natal. Ambos foram submetidos a cirurgia e não correm risco de morte.

O atirador foi identificado como um servidor de carreira da instituição, que está foragido. Guilherme Wanderley Lopes da Silva, de 44 anos, é técnico contábil e trabalha no MP há 12 anos. Além das duas vítimas, ele tinha um terceiro alvo: o procurador-geral de Justiça potiguar, Rinaldo Reis. 

Horas após o ataque, Reis detalhou como foi o crime. “Nós estávamos despachando diversas demandas quando, de repente, o servidor Guilherme entrou na minha sala”, disse. Logo após entrar, o servidor falou: “Essa é a recompensa por tudo o que vocês fizeram”.

Silva trazia documentos – em um deles, estava digitada a lista de vítimas do ataque. Em seguida, sacou um revólver, antes escondido em um casaco, e apontou para Reis. Além do procurador e das vítimas havia quatro funcionários na sala. 

“Quando vi que ele ia atirar, gritei: corram que ele está armado”, relembrou Reis. Nesse momento, seu colega Beetoven Ribeiro Agra se levantou da cadeira e acabou atingido por um tiro nas costas. A bala perfurou superficialmente um de seus pulmões e se alojou próximo ao braço. Ele passou por cirurgia e o quadro de saúde é estável.

Na correria, Reis saiu por uma porta que leva a uma sala anexa ao cômodo onde ocorria a reunião. Um tiro passou por cima dele, mas não o acertou. Ele foi seguido pelo procurador-geral adjunto, Pereira Sobrinho, que tentou segurar a arma e foi atingido duas vezes na região abdominal. Ele também tem quadro clínico estável. 

Enquanto os outros corriam para escapar dos tiros, Silva fugiu. Ao deixar o prédio, avisou aos seguranças que um tiroteio acontecia no andar superior. Funcionários ficaram assustados com o tumulto. 

Mistério. De acordo com Reis, não há suspeitas sobre a motivação do crime. “Ele exerce um cargo comissionado há muitos anos”, disse Reis. “Nunca houve qualquer constrangimento da administração em relação a ele”, acrescentou. “Nunca houve processo administrativo disciplinar contra ele e não há qualquer registro de afastamento por problemas psíquicos.”

O trabalho no Ministério Público potiguar, segundo ele, será retomado normalmente na segunda-feira. As Polícias Civil e Militar continuam em diligências à procura do atirador. 

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