Procurador vai ao Supremo contra Jaqueline Roriz

Presidente da Câmara quer que os partidos indiquem logo seus representantes no Conselho de Ética

Leandro Colon, O Estado de S.Paulo

09 Março 2011 | 00h00

O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, informou, por meio de sua assessoria, que vai pedir ao Supremo Tribunal Federal (STF) a abertura de inquérito contra a deputada Jaqueline Roriz (PMN-DF), flagrada em gravação de vídeo recebendo dinheiro do esquema de corrupção do governo do Distrito Federal. As imagens foram obtidas e divulgadas em primeira mão pelo portal do Estado, na sexta-feira.

O presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS), disse ao Estado que pedirá hoje ao Ministério Público uma cópia da gravação e mais informações sobre o caso. Ele afirmou, ainda, que vai solicitar aos partidos que indiquem, até a semana que vem, os integrantes do Conselho de Ética da Casa.

Já o PSOL promete oficializar até sexta-feira o pedido para que a Câmara apure o envolvimento de Jaqueline, filha do ex-governador do DF Joaquim Roriz, com o escândalo que ficou conhecido como "mensalão do DEM". O corregedor da Câmara, Eduardo da Fonte (PP-PE), anunciou que adotará postura "rigorosa" em relação ao caso.

O vídeo mostra Jaqueline e o marido, Manoel Neto, recebendo um maço de dinheiro das mãos de Durval Barbosa, ex-secretário de Relações Institucionais do governo do DF e delator do esquema de corrupção na capital federal.

Até ontem, a deputada se manteve em silêncio sobre o caso. Por meio de sua assessoria, ela disse que não havia tomado conhecimento do vídeo. Seu advogado divulgaria uma nota oficial depois do carnaval.

Na gravação, o casal reclama com Durval do valor, supostamente abaixo do combinado. Segundo as investigações, ela teria recebido, naquele encontro, R$ 50 mil do delator. O vídeo foi feito em 2006, durante a campanha eleitoral. Jaqueline era candidata a deputada distrital. Foi eleita e, quatro anos depois, conseguiu eleger-se deputada federal.

Procuradoria local. Enquanto o procurador-geral da República sinaliza que vai ao STF pedir inquérito no âmbito criminal, o Ministério Público do Distrito Federal quer abrir uma ação por improbidade administrativa, que pode tramitar na primeira instância do Judiciário.

O "mensalão do DEM" foi desmantelado em 2009 pela Operação Caixa de Pandora, da Polícia Federal, e acabou derrubando o então governador José Roberto Arruda, que chegou a ser preso por dois meses.

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