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Protesto contra Copa do Mundo reúne apenas 30 pessoas em Manaus

Kleiton Renzo - Especial para o Estado

22 Fevereiro 2014 | 21h 29

Manifestação cobrou transparência sobre destino de recursos para mobilidade urbana

MANAUS - Em Manaus, as 30 pessoas que participaram do protesto do Coletivo Movimento Passe Livre e Movimento #VemPraRua contra as obras da Copa do Mundo foram ofuscadas por duas bandas de carnaval. Com cartazes e gritos de ordem, os manifestantes cobraram do prefeito Artur Neto (PSDB) e do governador Omar Aziz (PSD) detalhes de "como e onde os governantes destinaram mais de R$ 459 milhões em obras de mobilidade urbana".

O ato que partiu às 16h (horário local) da Praça do Congresso, no centro da capital, terminou por volta das 18h30 na sede do Palácio Rio Branco, onde funciona o segundo gabinete do prefeito Artur Neto. Manaus receberá quatro partidas da Copa do Mundo de seleções menos expressivas e, segundo as informações mais atualizadas, até agora foram gastos na construção da Arena da Amazônia mais de R$ 660 milhões.

"Até agora, de mobilidade urbana em Manaus o que vimos foi a compra de uma lata de tinta azul usada para pintar uma faixa de trânsito exclusivo para ônibus do sistema BRS (Bus Rapid System) na (Avenida) Constantino Nery. Cadê os mais de R$ 459 milhões já garantidos pelo Governo Federal para mobilidade urbana?", questionou Renata Mota, 23 anos, estudante de Direito, integrante do Coletivo Movimento Passe Livre (Coletivo-MPL).

Desde a sexta-feira, 21, os integrantes tentam entregar ao prefeito uma carta com nove itens de reivindicação, entre eles, o pedido de audiência pública para tratar do passe livre para estudantes, o compromisso do prefeito em não aumentar o valor da tarifa de ônibus no próximo mês para R$ 3 (atualmente em R$ 2,75) e o pedido de mais transparência no gasto de dinheiro público com mobilidade urbana.

"Esse é nosso segundo ato contra a Copa do Mundo e dessa vez estamos exigindo que o prefeito nos diga o que ele tem na cabeça para o problema do trânsito em Manaus. Estávamos cientes de que o período de carnaval poderia esvaziar a mobilização. Mas a sociedade não pode parar de cobrar seus direitos porque é dia de festa", defendeu um dos integrantes do Coletivo-MPL, Leandro Prestes, funcionário público, de 28 anos.

A reportagem tentou ouvir o prefeito Artur Neto, através da Secretaria Municipal de Comunicação (Semcom), porém não houve resposta ao e-mail enviado com questionamentos. A informação passada pela titular da Semcom, Mônica Santaella, é de que a prefeitura não tinha conhecimento da manifestação e que o prefeito só iria ao local para participar da banda de carnaval da BICA, na Rua 10 de Julho, próximo ao Teatro Amazonas. "Mas sem hora definida ainda", desconversou Santaella.

Na pauta do Coletivo-MPL está programada para a próxima semana ida à Câmara Municipal de Manaus (CMM) para pedir a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) no sistema de transporte público da cidade. De um total de 41 vereadores, o prefeito encontra oposição apenas nos três parlamentares do PT. A Câmara é presidida pelo vereador do PSDB Bosco Saraiva.

Integrante do Movimento #VemPraRua e também membro do Conselho de Gestão Estratégica do prefeito, o estudante Yan Mesquita disse que as pautas da carta serão abordadas por ele nas reuniões do conselho e criticou a ausência do governante nos encontros. "Ele não participa das reuniões. Seria aconselhável que participasse. Desde a posse nós tivemos duas, a última foi na quarta, 19. E ainda iremos definir como vamos trabalhar essas demandas", disse.

Pouca adesão. "Eu concordo com o movimento, mas não vim para participar. Vou para a banda da Difusora", comentou o industriário João Santos, de 31 anos. Outras dez pessoas abordadas pela reportagem também disseram não terem conhecimento de que no mesmo dia das bandas de carnaval ocorreria uma passeata de protesto. "Não, senhor, não sei de manifestação nenhuma", disse o aposentado Jurandir de Souza, de 70 anos.

De acordo com o major da Polícia Militar (PM), Cesar Andrade, foram destacados 600 policiais militares para fazer a segurança dos foliões. "Eu desconheço o protesto ao qual você está se referindo", disse à reportagem. A estimativa da PM é de que mais de 80 mil pessoas participem das bandas de carnaval no centro de Manaus.