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Protesto de professores é reprimido com bombas e golpes de cassetete no Rio

Felipe Werneck - O Estado de S. Paulo

28 Maio 2014 | 16h 25

Confronto aconteceu depois que uma professora usou um hidrocor para escrever 'Educação em Greve' no muro da Secretaria Estadual de Educação

Atualizada às 21h46

RIO - Policiais militares reprimiram com violência um protesto de cerca de 500 professores das redes municipal e estadual na tarde desta quarta, 28, no centro do Rio. Manifestantes foram agredidos com golpes de cassetete, uma professora foi arrastada pelo cabelo e PMs lançaram bombas de gás, de efeito moral e spray de pimenta. O grupo havia interditado a Avenida Presidente Vargas e escrito "Educação em Greve" na parede de um prédio do governo do Estado.

Uma professora foi detida e pelo menos quatro pessoas ficaram feridas, entre elas o protético Eron Melo, que estava vestido de Batman e foi atingido na cabeça. Ele segurava um cartaz com a frase "Educação vale mais que a seleção" e ficou ensanguentado após os golpes. Os professores, que aguardavam o fim de uma reunião na prefeitura com representantes do Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação (Sepe), interditaram por 20 minutos a pista da Presidente Vargas, na frente do prédio. Policiais lançaram bombas para afastá-los e agrediram manifestantes que estavam na linha de frente, entre eles o "Batman".

Depois, o grupo seguiu em passeata até a sede da secretaria estadual de Educação, no Santo Cristo. O prédio estava com as portas cerradas e o Batalhão de Choque já aguardava os professores. O tumulto começou depois que manifestantes colaram adesivos do Sepe no portão de ferro e uma professora usou um hidrocor para escrever "Educação em Greve" numa parede lateral. Ela foi agarrada por um policial, que a arrastou pelo cabelo.

Manifestantes tentavam livrá-la e a puxavam pelas pernas. Um grupo maior correu na direção da professora e a polícia lançou bombas de gás lacrimogêneo e de efeito moral. Ela acabou escapando em meio ao tumulto, mas outra professora que protestava contra a ação da PM foi detida e levada para a 17.ª DP em um camburão. "Solta! Qual é a acusação?", gritavam os colegas. Perguntado sobre o motivo da prisão, o major identificado como Rivaldo afirmou que ela foi detida "por desobediência". Um manifestante deixou o local carregado, com a perna sangrando.

"Fizemos um ato pacífico e fomos recebidos com tiro, porrada e bomba", disse Vera Nepomuceno, uma das diretoras do Sepe. "O problema não é a polícia, mas o governo, que fecha as portas da secretaria e bota o Choque para nos receber. Querem criminalizar o movimento." Vera afirma ter enviado ofício na véspera pedindo uma audiência com a secretário estadual Wilson Risolia. "Não estamos em greve porque gostamos, mas porque ganhamos R$ 1 mil." Os gastos relacionados à Copa foram criticados durante o ato.

Iniciada no dia 12, a greve dos professores foi considerada ilegal pela desembargadora Leila Mariano, presidente do Tribunal de Justiça. Os professores pedem aumento de 20%, entre outras reivindicações. De acordo com o Sepe, a adesão à greve chega a 30% na rede estadual e a 50% na municipal, mas as secretarias afirmam que ela não passa de 1%.

Eron Melo, que participa de protestos no Rio vestido de Batman, contou que já foi preso duas vezes, mas nunca havia sido agredido. "Quando eu senti a pancada, comecei a sangrar na cabeça. Eu estava totalmente pacífico. Sou contra a violência. Ela veio por parte da polícia, que agiu de forma truculenta, sem necessidade, batendo nos professores. Me empurraram com o escudo e bateram com o cassetete", disse ele à Agência Brasil. Está prevista para sexta, 30, uma nova assembleia de professores.

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