Werther Santana/AE
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PSB descarta fusão com ''partido do Kassab'' antes de 2012 e esfria acordo

Líderes do Partido Socialista Brasileiro agora querem apenas se coligar com o PDB, sigla a ser fundada pelo prefeito, que também avalia, com seus aliados, o ônus de criar uma legenda só para ser incorporada e para viabilizar candidatura ao governo de SP

Julia Duailibi, O Estado de S.Paulo

15 Março 2011 | 00h00

A cúpula do PSB começou a defender a coligação, e não mais uma fusão, como saída para o partido se aliar ao PDB (Partido da Democracia Brasileira), sigla a ser criada pelo prefeito paulistano, Gilberto Kassab (DEM). Integrantes da executiva nacional e líderes do PSB no Congresso pretendem postergar qualquer discussão sobre a fusão para depois da eleição municipal de 2012.

Em jantar na casa do governador do Espírito Santo, Renato Casagrande, há cerca de 15 dias, a ideia foi lançada pelas principais lideranças do PSB como a alternativa "mais sensata" no momento. A proposta enfraquece os planos de Kassab de lançar neste ano uma terceira força partidária, que faria um contraponto à polarização entre PSDB e PT nas próximas eleições.

"Não há necessidade de discutir a incorporação ou a fusão neste momento", afirmou Casagrande, para quem a discussão após 2012 "é mais madura". "Não vamos antecipar o debate, mas vamos nos manter próximos", completou o governador.

"Ano que vem tem eleição. Dá-se impressão de que essa é uma tática ou estratégia para burlar a Justiça. No momento, preferimos que Kassab crie o partido e, lá na frente, se for conveniente, vamos sentar e conversar", disse Antonio Carlos Valadares (SE), líder do PSB no Senado.

A nova legenda é uma saída política para que o prefeito e aliados possam deixar o DEM, ou outros partidos, sem terem o mandato questionado na Justiça por infidelidade partidária. A lei permite a troca de sigla em caso de migração para uma nova legenda. A ideia inicial era criar um partido e depois promover a fusão com PSB, que é da da base do governo federal.

Pecha. Mas, apesar de ter sido o plano número 1 de Kassab, a tese da fusão tem perdido força. "Criou-se uma pecha muito grande de que seria um partido ponte", afirmou um aliado do prefeito. Ficar na nova legenda seria uma solução positiva para o vice-governador Guilherme Afif Domingos (DEM). Integrante do primeiro escalão do governo de Geraldo Alckmin (PSDB), Afif poderia acompanhar Kassab sem migrar para um partido aliado do governo federal.

Para os advogados envolvidos na criação do PDB, a coligação é, no momento, a melhor saída, justamente por não dar o caráter de que foi uma estratégia criada para se burlar a Justiça.

Apesar do debate da fusão ter esfriado, a cúpula do PSB é a favor da vinda de Kassab, principalmente por avaliar que a chegada do prefeito fortalece a legenda no Sudeste. Para pessebistas, no entanto, o efeito colateral seria uma descaracterização do partido ao incorporar o prefeito e aliados - Kassab poderia levar até 27 deputados que não teriam ligação com a formação socialista da sigla. No PSB, também há dúvidas sobre o desgaste de se aliar a um projeto que, na avaliação das lideranças, já nasce com a marca de "partido da janela".

"Levantou-se a possibilidade de fazermos agora um acordo nacional de coligação e, depois da eleição de 2012, fazermos a incorporação", afirmou o primeiro-vice-presidente do partido, Roberto Amaral. Para o senador Rodrigo Rollemberg (DF), a "incorporação" só deve ser discutida depois de o prefeito viabilizar o novo partido. "Primeiro, Kassab tem uma lição de casa a ser cumprida, que é a criação do novo partido. A partir daí, vamos discutir. Fala-se em aliança para 2012 e, depois, incorporação."

O adiamento da discussão sobre a fusão não significa veto para a entrada de Kassab no PSB. "Se Kassab quiser vir para o PSB agora, será muito bem-vindo. Mas fazermos a fusão neste momento, desta maneira, não é boa solução", disse um líder da sigla.

O ZIGUE-ZAGUE DO PREFEITO

Derrota

Após o fracasso de José Serra , na eleição de 2010 e a vitória de Geraldo Alckmin (PSDB) na disputa pelo governo paulista, Kassab inicia negociações para deixar o DEM, aliado dos tucanos.

Resta um

Kassab quer disputar o governo paulista em 2014, quando Alckmin deverá concorrer à reeleição. O prefeito, então, avaliou que deveria migrar para a base de Dilma e procurou o PMDB.

Adeus, oposição

Rodrigo Maia e Agripino Maia, do DEM, tentaram manter Kassab no partido, mas, mesmo após não ter se entendido com o PMDB, o prefeito de São Paulo manteve seus planos de sair.

Nova sigla

Kassab acertou com o governador Eduardo Campos (PE) o ingresso no PSB, aliado de Dilma, mas, para

evitar problemas com a lei, decidiu criar um novo partido, o PDB.

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