PSD de Kassab: ''Nem esquerda, direita ou centro''

Prefeito diz à rádio ''Estadão ESPN'' que sigla terá ''programa a favor do Brasil''; na TV, afirma não ver ''constrangimento'' em apoiar reeleição de Dilma

, O Estado de S.Paulo

29 Março 2011 | 00h00

O Partido Social Democrático, a "nova" sigla anunciada semana passada pelo prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, "não será de direita, não será de esquerda, nem de centro" e terá "um programa a favor do Brasil". A definição é do próprio Kassab, mentor intelectual e figura central da futura legenda e foi dada ontem de manhã, na primeira entrevista de um político transmitida pela rádio Estadão ESPN, que entrou no ar no domingo.

Cauteloso quanto à lei eleitoral, o prefeito advertiu que o partido "ainda não existe". "Existe um primeiro passo, que será dado em algumas semanas", disse. Seu cálculo é que a sigla entre em atividade lá por junho ou julho.

Kassab abordou também a polêmica sobre o domínio "jk.com.br" - que ele registrou para o PSD, mas foi desautorizado por uma neta e uma filha do ex-presidente Juscelino Kubitschek. O prefeito repetiu a nota divulgada na sexta-feira, após ser questionado sobre a queixa da família de Juscelino, alegando se tratar de uma "garantia contra aventureiros". "Nós fizemos a reserva. Ainda bem, imagina se isso cai na mão de um malandro..."

No domingo, o prefeito admitiu que pode vir a apoiar uma eventual reeleição da presidente Dilma Rousseff, caso seu aliado natural José Serra (PSDB) não seja candidato à Presidência. "Se ela tiver um bom desempenho, por que não estar ao lado dela?" perguntou, em entrevista ao programa É Notícia, da Rede TV!. "Eu não tenho nenhum preconceito contra a ideia, muito pelo contrário. Eu torço pelo seu sucesso e não teria nenhum constrangimento em apoiá-la."

No mesmo programa, ele afirmou que o PSD "defenderá algumas linhas liberais muito claras, como o direito à propriedade, o respeito aos contratos", mas também "a forte presença do Estado em setores vinculados a temas sociais".

A seguir, os principais trechos da entrevista aos jornalistas Leandro Modé e Vanessa Di Sevo, na rádio Estadão ESPN.

"Nem direita, nem esquerda, nem centro"

O PSD não será de direita, não será de esquerda, nem de centro. É um partido que terá um programa a favor do Brasil, como qualquer outro partido deve ser. O que está sendo realizado são manifestações para que seja criado o partido. Seria ilegal até, se eu aqui dissesse que existe um programa eu estaria sendo cassado, porque a Justiça não permite que eu me transfira para um partido que já esteja pronto.

"O partido vai bem"

Seria uma infantilidade eu não dizer que minha única preocupação é a cidade de São Paulo. Até o último dia eu vou manter esse ritmo. Mas estamos em uma democracia e democracia precisa de partidos. Tenho dedicado a isso algumas horas, geralmente sábados à tarde. Neste último estive em Goiânia, no outro fui à Bahia. O partido vai bem, está conquistando simpatizantes.

"JK: fizemos a reserva"

Eu já tinha conversado com a filha do Juscelino. É só em relação ao domínio que eles não tinham, fizemos a reserva. Quando for criado o partido, vai ser consultada a família para saber se gostariam que fizéssemos uma homenagem, dando à sua fundação o nome do Juscelino. Foi uma falha da família, nas últimas décadas, não ter feito (a reserva do nome). Foi sorte. Imagine se tivesse caído na mão de malandro.

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