PSDB se move para reduzir impacto da ação de Kassab

Enquanto PSDB espera intervenção do DEM no diretório paulista, Planalto tenta atrair novo partido para base aliada

Julia Duailibi, O Estado de S.Paulo

23 Março 2011 | 00h00

No dia seguinte ao lançamento do PSD (Partido Social Democrático), tucanos começaram a se articular para diminuir a força da legenda recém-anunciada pelo prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, enquanto o Palácio do Planalto se prepara para trazer a nova sigla para a base aliada.

Tucanos paulistas conversaram com lideranças do DEM nacional na expectativa de que seja consumada amanhã a decisão de intervir no diretório estadual do partido, do qual Kassab ainda detém controle. O PSDB também quis saber do DEM qual será o formato a ser adotado na futura executiva estadual da legenda. O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), acompanha diretamente as articulações, segundo integrantes do DEM.

Para o PSDB, que vê em Kassab um adversário de Alckmin em 2014, essa informação é relevante. Há o temor de que o prefeito, mesmo no PSD, controle no Estado o DEM, principal aliado dos tucanos em São Paulo.

O deputado Rodrigo Garcia, aliado de Kassab que resolveu ficar no DEM, buscou fortalecer pontes como o Palácio dos Bandeirantes. Na semana passada, esteve com Alckmin para falar da decisão de ficar no partido.

Na segunda, reuniu-se com o secretário da Casa Civil, Sidney Beraldo, e deputados estaduais que continuarão no DEM - havia preocupação no palácio sobre o impacto da criação do PSD na base governista na Assembleia. Há, no entanto, resistência ao nome de Garcia em razão do histórico de amizade com o prefeito.

Em outra ação que agradou ao Palácio dos Bandeirantes, o deputado estadual Campos Machado (PTB), um dos principais aliados de Alckmin, questionará o uso da sigla PSD na Justiça. Ele alega que o seu partido incorporou a sigla em 2003 e que aspectos fiscais e contábeis do antigo partido seguem pendentes. Na linha de ataque ao PSD, disse que a "cúpula do novo partido vinha assediando, de maneira leviana e sem escrúpulos, petebistas".

Base. O governo federal começou a se movimentar para agregar o PSD à base. "Quero reunir os integrantes do PSD para discutir a entrada deles na base do governo, inclusive a tática em plenário", disse o líder do governo na Câmara, Cândido Vaccarezza (PT), que vai chamar o deputado Guilherme Campos (SP) para conversar nesta semana. Mas o PT municipal não quer aproximação com Kassab. "O diretório estadual formalmente endossou a postura de oposição. O nacional, informalmente. Não temos motivo para sair da oposição", diz o vereador Antonio Donato.

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