PT acusa marqueteiro de despreparo

Na avaliação do presidente Lula e de coordenadores da campanha, João Santana não contava com uma possível disputa no segundo turno

Tânia Monteiro / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

16 Outubro 2010 | 00h00

No clima de cobrança que se instalou nos bastidores da campanha da candidata Dilma Rousseff (PT), sobrou para o marqueteiro João Santana. Na avaliação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, de assessores e coordenadores da campanha, Santana não se preparou para a eventualidade de ter de disputar o segundo turno das eleições presidenciais.

O despreparo ajudaria a explicar, em parte, a desaceleração da campanha, logo depois da contagem dos votos do primeiro turno. Os primeiros programas do segundo turno no horário eleitoral do rádio e televisão foram pouco mais do que peças requentadas da reta final do primeiro turno, o que desagradou o presidente - que decidiu participar de forma decisiva na campanha.

Lula votou a criticar a participação da candidata Dilma nos programas. Para ele, a petista não tem apresentado a emoção necessária, não olha nos olhos das pessoas nem fala de forma convincente. Por isso, quer um programa mais propositivo da candidata, em vez dos que estão sendo exibidos, considerados "mornos" por ele.

Outra avaliação é de que é preciso mudar a abertura do programa de Dilma, principalmente quando ela entra logo após a apresentação do programa tucano de José Serra, que sempre termina sua fala batendo na adversária e ela entra sem esboçar qualquer reação.

O presidente Lula continua achando também que Dilma não reagiu com a indignação suficiente às denúncias das movimentações da ex-ministra-chefe da Casa Civil Erenice Guerra. Ela tinha que, no mínimo, insistir que Erenice traiu a sua confiança.

O governo também continua mobilizado para ajudar a candidata no debate envolvendo questões como aborto, união civil gay e outros temas que mexem com a religiosidade da sociedade.

Temendo enfrentar novamente problemas com os católicos, nas missas do fim de semana, o chefe de gabinete da Presidência, Gilberto Carvalho, foi escalado para ligar para o arcebispo do Rio, d. Orani João Tempesta, para tentar brecar a divulgação de 6 mil panfletos contra Dilma, iguais aos do primeiro turno.

A campanha teve a informação da distribuição e pediu ação de Gilberto. Ele ouviu do arcebispo que estará atento para este fato não se repetir. No rol de reclamações sobrou até para o fiel escudeiro Gilberto, que não teria percebido a onda entre os católicos contra Dilma Rousseff.

Ontem, Lula comandou mais uma reunião de coordenação da campanha, ao lado do presidente do PT, José Eduardo Dutra, e dos deputados José Eduardo Martins Cardoso e Antônio Palocci. O ministro-chefe da Secretaria de Comunicação, Franklin Martins, também participou. Após o encontro, Lula gravou para o programa eleitoral. Dilma estava em São Paulo, também gravando para o programa eleitoral.

Firmeza. Há uma grande preocupação com o comportamento da petista no segundo debate, marcado para amanhã. A cúpula petista teme que ela fique nervosa e se perca por causa disso, ante a postura do tucano. O tom agressivo de Dilma, no primeiro confronto, tão comemorado por colaboradores da campanha petista ,não deverá se repetir.

"Aquele tom era importante naquele momento, para marcar posição", declarou um auxiliar direto de Lula. "No segundo debate não deverá ter mais isso." Dutra discordou que Dilma tenha agido com tom agressivo no debate da TV Bandeirantes. Segundo ele, as pesquisas internas mostram que "ela não passou agressividade, mas firmeza e indignação".

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