PT busca estratégias para tirar tema da campanha

Partido decide que eixo da disputa do 2º turno será comparação entre governos de Lula e FHC, e São Paulo é prioridade

Malu Delgado, O Estado de S.Paulo

06 Outubro 2010 | 00h00

O comando petista quer evitar que o debate sobre o aborto domine a corrida presidencial no segundo turno e definiu que a comparação entre os governos dos presidentes Lula e Fernando Henrique Cardoso será a tônica central dos debates e da propaganda eleitoral.

O foco da campanha, segundo discutiram dirigentes petistas envolvidos nas coordenações regionais e nacional, será tornar ainda mais explícita a associação entre Lula e Dilma em contraponto a FHC e o candidato tucano José Serra. A prioridade é derrotar Serra em São Paulo. Dilma estará presente, na sexta-feira, em ato do lançamento da campanha na capital paulista.

O PT tenta driblar pressões de setores do PMDB e de outros partidos da coligação "Para o Brasil seguir mudando" que defendem uma sinalização concreta no programa de governo contra o aborto. O PMDB também sugeriu que Dilma reafirme, por escrito, o compromisso com a liberdade de imprensa.

A saída encontrada pelos petistas para enfrentar o assunto é enfatizar, no segundo turno, que as diretrizes do programa de governo protocoladas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) não mencionam a defesa da descriminalização do aborto. Dilma também foi aconselhada a dizer de forma mais firme que é contra o aborto e não vai estimular, como política de governo, a revisão da legislação vigente sobre o tema.

Caso a oposição insista no ataque a Dilma por conta do aborto, o PT tem uma carta na manga: lembrar a norma técnica assinada pelo presidenciável José Serra, quando ministro da Saúde. A norma, polêmica na época e criticada por setores católicos e evangélicos, determinou, desde 1998, o atendimento na rede conveniada ao SUS de casos de aborto por estupro.

O PT também argumenta que a presidenciável Marina Silva (PV) defendeu a realização de um plebiscito para discutir a questão do aborto e nem por isso perdeu votos de religiosos. Marina, porém, foi firme ao dizer que era contra o aborto.

O PT pretende também contar com manifestações de líderes católicos e evangélicos a favor da liberdade de decisão do eleitor. Ontem, por exemplo, petistas leram numa reunião em São Paulo a carta aberta de d. Demétrio Valentini, bispo diocesano de Jales. Ele critica colegas que fizeram propaganda eleitoral contrária ou favorável a candidatos e relembra que a presidência nacional da CNBB nunca se manifestou partidariamente. "A religião não pode se tornar aliada da dominação das consciências", diz a carta.

O PT resiste em dizer abertamente, em um novo documento, que é contra o aborto. Esse discurso contraria a história do partido. "Isso criaria uma guerra interna", resumiu um dirigente da sigla. A maior parte dos segmentos do partido defende a descriminalização da prática e é favorável à revisão da legislação vigente no Brasil.

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