PT e PMDB obtêm as maiores bancadas

Os dois partidos ganham cadeiras na Casa que mais deu trabalho nos dois mandatos do presidente Lula

Marcelo de Moraes, O Estado de S.Paulo

04 Outubro 2010 | 00h00

A ala governista conseguiu cumprir sua missão de eleger uma imponente bancada de parlamentares aliados no Senado, somando pelo menos 57 parlamentares aliados. Com esse número, se a petista Dilma Rousseff for eleita, contará com o apoio de mais de três quintos da Casa, fração necessária para aprovar, por exemplo, mudanças constitucionais.

PMDB e PT passam a ser os donos das duas maiores bancadas da Casa, com uma soma que pode chegar até a 36 senadores. Isso vai depender da análise da Justiça Eleitoral de casos de candidatos sub judice por conta da Lei da Ficha Limpa no Pará e na Paraíba.

Somados os 54 candidatos eleitos ontem com os 27 que têm direito a cumprir ainda quatro anos de mandato, o PMDB poderá ter 19 ou 21 senadores, enquanto o PT passará a ter 15.

No caso dos peemedebistas, eles dependem da decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), para os casos de Jader Barbalho (PA), que pode ter sido o mais votado no Estado. Se ele continuar impugnado, a vaga ficaria com Marinor Brito, do Psol. A outra pendência é o caso do tucano Cássio Cunha Lima, na Paraíba, outro a não ter os votos divulgados. Se Cunha Lima, que também pode ter sido o campeão de votos entre os paraibanos, for barrado, Wilson Santiago (PMDB) ficaria com a vaga. Já o PT passará a ter 15 senadores.

Durante os oito anos de mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o Senado foi justamente o centro das maiores resistências dos parlamentares ao governo federal, especialmente quando a oposição derrubou a cobrança da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF).

Além das bancadas de PMDB e PT, o governo sabe que se Dilma for eleita terá ainda o apoio de outros partidos governistas. O PTB passa a ter seis senadores, PDT, PP e PR contarão com quatro cada um. PSB terá três e o PC do B outros dois. Legendas pequenas como PRB, PSC e PMN contribuirão para essa base de apoio com um senador cada.

Nesse bloco, o PMDB terá que descontar dois senadores. Com mandato de quatro anos ainda para cumprir, Pedro Simon (PMDB-RS) e Jarbas Vasconcellos (PMDB-PE) nunca seguem as orientações pemedebistas alinhadas com o Palácio do Planalto. Outra dúvida será a posição do catarinense Luiz Henrique da Silveira (PMDB).

A novata Ana Amélia Lemos (PP-RS), muito amiga do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, também é uma incógnita em relação ao seu comportamento no Senado.

Para a oposição, a construção da maioria governista no Senado não foi a única má notícia de ontem. As urnas também eliminaram políticos importantes para PSDB e DEM dentro da Casa. De uma só vez, a oposição viu a derrota de líderes como Tasso Jereissati (PSDB-CE), Arthur Virgílio (PSDB-AM), Marco Maciel (DEM-PE) e Heráclito Fortes (DEM-PI).

Os tucanos passam a ter 10 ou 11 senadores, dependendo da situação da Paraíba. Podem perder ainda a senadora Níura Demarchi, que ocupa a vaga de Raymundo Colombo (DEM), eleito governador de Santa Catarina ontem. Ela é apenas a segunda suplente e poderá ser substituída pelo pemedebista Casildo Maldaner, primeiro suplente.

Em compensação, a oposição garantiu duas vitórias extremamente estratégicas. Em Minas Gerais, o ex-governador de Minas Gerais Aécio Neves (PSDB) se elegeu e chega muito fortalecido para ocupar uma cadeira na Casa. Além disso, Aloysio Nunes Ferreira (PSDB) se tornou a grande surpresa da eleição em São Paulo, conquistando uma das vagas e resistindo à campanha de Netinho de Paula, do PC do B, que teve o próprio Lula pedindo votos a seu favor.

Outra novidade será a presença simultânea de três ex-presidentes. Itamar Franco (PPS-MG) se junta a Fernando Collor, que não chegou ao segundo turno na eleição pelo governo de Alagoas, e volta a reocupar sua vaga, e ao presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP).

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