PT precisa de uma ´refundação radical´, afirma Tarso

Tarso Genro, ministro de Relações Institucionais do governo de Luiz Inácio Lula da Silva, acredita que o PT precisará passar por uma "refundação radical" e que o partido necessitará de "novas pessoas" em um eventual segundo mandato do presidente. Ele afirmou que a "operação limpeza" no PT está em andamento e vai se aprofundar num segundo mandato. "Queremos um partido com sensibilidade cívica e republicana superior", disse. Em entrevista publicada no último domingo no jornal espanhol El Pais, Tarso ainda acusou a oposição de estar tentando praticar um "golpe político para deslegitimar Lula", acusa a imprensa de oferecer histórias sobre pessoas ligadas ao PT e chama o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso de "arrogante" e de "mentir". Diante das críticas de que Lula não conseguiria governar em um segundo mandato, Tarso apontou que, após as eleições, vai tentar realizar negociações com toda a oposição para lançar a reforma política. "Nosso sistema está esgotado", admitiu. Em sua avaliação, uma "concertação" será necessária. "E isso pode começar com um grande acordo para a reforma política, que é uma necessidade de todos, inclusive de Fernando Henrique Cardoso?", disse. Escândalo dossiê Tarso ainda admitiu que o escândalo do dossiê teve um impacto importante no resultado do primeiro turno das eleições. "A conduta de pessoas próximas a Lula foi negativa e provavelmente frustrou a vitória no primeiro turno", disse. Para ele, porém, o segundo turno não será ruim. "Dará mais legitimidade ao presidente eleito, seja Lula ou Alckmin", afirmou. O ministro, porém, criticou a forma pela qual a oposição caracteriza o PT durante a campanha. "O que não se pode é aceitar a campanha de centro-direita dirigida a apresentar o PT como uma organização corrupta", disse. Segundo ele, todos os partidos teriam pessoas envolvidas em corrupção e destacou os esforços do governo para lutar contra os problemas. Tarso ainda elogiou o ex-ministro da Fazenda, Antonio Palocci, principalmente por ter segurado a inflação.

Agencia Estado,

23 Outubro 2006 | 17h36

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