PT quer consenso em SP até dezembro

Depois do anúncio de que o ministro Fernando Haddad pretende concorrer à Prefeitura de São Paulo, partido quer antecipar indicação

Iuri Pitta, O Estado de S.Paulo

12 Julho 2011 | 00h00

Com pelo menos cinco nomes colocados como pré-candidatos à Prefeitura de São Paulo, seria natural imaginar uma intensa disputa interna no PT paulistano para a definição de um nome. Pois o que se nota é o contrário. Tanto apoiadores do ministro da Educação, Fernando Haddad - que disse ao Estado querer ser o candidato da sigla em 2012 - quanto os grupos dos demais pré-candidatos pregam união nessa escolha. Por ora, a palavra de ordem no PT é consenso.

"O desafio que se coloca ao partido é criar instrumentos para construir uma unidade", disse o presidente do diretório paulista, deputado estadual Edinho Silva. O vereador Antonio Donato, presidente do diretório municipal, segue a mesma linha. "Vamos trabalhar para chegarmos a um nome de consenso. O ministro é mais um bom nome que se soma aos outros já colocados."

Além de Haddad, já anunciaram publicamente a disposição de concorrer à Prefeitura a senadora e ex-prefeita Marta Suplicy e os deputados Carlos Zarattini e Jilmar Tatto. O também ministro Aloizio Mercadante, derrotado na disputa pelo Palácio dos Bandeirantes no ano passado, também está no páreo, ainda que não tenha feito nenhuma declaração pública nesse sentido.

Ontem, Marta disse ser "normal que as pessoas se coloquem" na disputa interna. "É absolutamente democrático", afirmou a senadora. Para ela, no entanto, esse debate ainda é "muito embrionário". "Antes de dezembro isso não se resolve."

Haddad tem a seu favor o apoio do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que defende um nome inédito como candidato do PT a prefeito e, de preferência, sem a realização de prévias. É o que também quer Zarattini, outro estreante na disputa. "Temos condições de construir consenso no partido."

Prévias. Hoje, a avaliação no PT é que, na falta de um consenso, o principal beneficiado seria Mercadante. O ministro, no entanto, não colocará seu nome publicamente antes de consultar Lula e a presidente Dilma Rousseff. A interlocutores, Mercadante disse que dificilmente fará isso antes de setembro.

Alguns fatores explicam o favoritismo de Mercadante em uma eventual votação interna. Marta perdeu parte de sua força na campanha ao Senado do ano passado, ao bater de frente com alguns de seus principais aliados. Tatto e Zarattini são deputados não só com boa votação na eleição passada, mas de força interna dentro do partido. Haddad é quem mais precisaria buscar as bases da sigla.

"É uma crítica um tanto injusta. O ministro já esteve em assembleias, encontrou a bancada estadual e vai conversar com os vereadores e com as bases do partido", disse o deputado estadual Simão Pedro. / COLABOROU GUSTAVO URIBE

PARA LEMBRAR

Fernando Haddad é mais conhecido pela atuação no MEC, mas conhece por dentro a Prefeitura paulistana. Entre 2001 e 2003, o economista foi chefe de gabinete da Secretaria de Finanças da gestão Marta Suplicy, comandada por João Sayad. Na prática, Haddad era o executor das políticas fiscais e tributárias - ou seja, passaram por ele tanto o saneamento da Prefeitura após a gestão Celso Pitta como a criação de taxas que acabaram custando a reeleição de Marta.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.