PT vê 'indícios' de ligação de gráfica com o PSDB

Partido encaminhou ao TSE petição revelando que dona da empresa é filiada ao PSDB e irmã de um assessor de Serra

Malu Delgado, O Estado de S.Paulo

19 Outubro 2010 | 00h00

A coordenação de campanha da candidata Dilma Rousseff (PT) afirmou ontem haver "indícios veementes" de que a responsabilidade pela publicação e distribuição de milhões de panfletos que reproduzem o discurso de parte dos bispos católicos contra a petista é da coligação de José Serra (PSDB).

A pedido do PT, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) abrirá inquérito para apurar supostos elos dos tucanos com o caso. Em petição enviada ao TSE a direção do PT informa detalhes do contrato social da Editora Gráfica Pana Ltda. e aponta a filiação partidária de uma de suas donas, Arlety Satiko Kobayashi, ao PSDB.    

 

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Além de filiada, Arlety é irmã de Sérgio Kobayashi, coordenador de infraestrutura da campanha de Serra, e funcionária da Assembleia contratada por intermédio de outro irmão, Paulo Kobayashi. Foram apreendidos no domingo cerca de 1 milhão de panfletos na capital paulista encomendados à gráfica.

"É indiscutível a relação política da proprietária da gráfica com o PSDB, seja diretamente, seja pela relação de parentesco com um dos coordenadores da campanha do candidato José Serra. Os fatos são graves e temos indícios veementes de onde vem a central de calúnias e boatos para atingir a nossa candidatura", afirmou o deputado José Eduardo Martins Cardozo (PT), coordenador jurídico de Dilma.

Em outra petição à Justiça Eleitoral, o PT pede apurações sobre propaganda de telemarketing contra Dilma em vários Estados, como Minas Gerais.

Encomendas. Os petistas receberam informações de que há encomendas espalhadas para publicação de aproximadamente 20 milhões de exemplares. O PT investiga outras duas gráficas que estariam produzindo panfletos.

Ontem, o presidente do PT de São Paulo, Edinho Silva, disse que o partido tomou conhecimento do fato a partir de uma denúncia de uma pessoa que "tinha relação com a gráfica". A partir daí, acionou o TSE. Silva fez contato telefônico com d. Pedro Luiz Stringhini, bispo de Franca, para questionar se o regional da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) seria responsável pela publicação. Os bispos negaram.

Em nota divulgada no sábado, os bispos do Conselho Regional Sul 1 informaram que "desaprovam a instrumentalização de suas declarações e notas". O regional sustentou que "não patrocina a impressão e a difusão de folhetos a favor ou contra candidatos". Os bispos, reunidos em Itaici (SP), disseram que "não indicam nem vetam candidatos ou partidos". A nota foi assinada por d. Nelson Westrupp, presidente do Conselho Episcopal Regional Sul 1, e por bispos.

O polêmico panfleto reproduz declarações do Regional Sul 1 contra o PT e Dilma. No entanto, são grifadas frases cujos ataques ao PT e a Dilma são fortes e diretos. Para o TSE, trata-se de propaganda eleitoral negativa. "Toda publicidade eleitoral deve ser realizada com a indicação dos dados de quem é o responsável pela confecção, quem contratou e a respectiva tiragem", afirmou o ministro Henrique Neves da Silva, que autorizou a apreensão do material no sábado.

"Se tiver participação do PSDB isso pode levar à cassação de registro ou da diplomação", disse o advogado do PT, Pierpaolo Bottini. Ele ressaltou ainda ser vedada a doação de entidades religiosas, em dinheiro ou publicidade, a partidos e candidatos.

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