Punição a Garotinho pode ajudar 4 partidos

Quatro partidos ganharão vagas na Câmara dos Deputados caso o ex-governador Anthony Garotinho (PR) seja considerado inelegível pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Em jogo, estão cinco cadeiras conquistadas pelo PR, com os quase 695 mil votos recebidos pelo candidato. Na fila de espera estão deputados que não conseguiram se reeleger, como Marcelo Itagiba (PSDB), Nelson Bornier (PMDB) e Edmilson Valentim (PC do B).

Gabriela Moreira, Bruno Boghossian / RIO, O Estado de S.Paulo

06 Outubro 2010 | 00h00

O PR passaria de oito para três vagas, enquanto o mais beneficiado, passando de oito para dez cadeiras, seria o PMDB - partido já presidido por Garotinho e que hoje é um dos maiores rivais do ex-governador. Também ganhariam espaço na Câmara o PC do B (de um para dois parlamentares), o PSDB (de dois para três) e o PMN (que não tinha vaga e passaria a ter uma). "O PMDB e a coligação não farão pressão. O partido não está tomando nenhuma atitude, cabe à Justiça analisar", disse Bornier.

A expectativa do TSE é avaliar a inelegibilidade de Garotinho antes de sua diplomação, em dezembro. Em maio, o ex-governador foi condenado pelo Tribunal Regional Eleitoral do Rio (TRE-RJ) por abuso de poder econômico na eleição municipal de 2008, em Campos, no norte Fluminense. Pela decisão, seus direitos políticos estão cassados até 2011, mas ele conseguiu liminar no TSE para manter sua candidatura.

"O que o torna um (candidato) ficha-suja é uma decisão de um órgão colegiado. Isso só muda se esta decisão for revista no TSE", explicou a procuradora eleitoral no Rio, Silvana Batini.

Se Garotinho perder seus votos, o PR defende que os votos do ex-governador fiquem com o partido. "O voto e o mandato são do partido. A candidatura deveria ter sido cassada, se fosse o caso, antes das eleições", disse o secretário-geral do partido no Rio, Adroaldo Peixoto. "Na opinião do partido, não há motivos para o Garotinho ficar inelegível."

O deputado Marcelo Itagiba, que seria beneficiado pela anulação dos votos do ex-governador, não retornou as ligações.

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