PV contraria eleitorado de 2010, diz Marina

Para ex-senadora, práticas da sigla estão na ''contramão'' dos 19,6 milhões de votos obtidos na última eleição

Roldão Arruda, O Estado de S.Paulo

25 Março 2011 | 00h00

A ex-senadora Marina Silva divulgou carta ontem acusando a cúpula do PV de não honrar compromissos de democratização interna assumidos quando ela se filiou ao partido no ano passado. "Se deixarmos de lado a renovação política dentro do partido, acabou-se o moral para falar de sonhos, de ética, de um mundo mais justo e responsável com o meio ambiente", diz.

À noite, ela participou do lançamento do movimento Transição Democrática, que defende a realização de uma convenção e de eleições de nova diretoria no prazo máximo de seis meses. Não está descartada, para os integrantes desse grupo, caso a iniciativa fracasse, o desligamento do PV e a criação de novo partido.

As iniciativas da ex-presidenciável do PV se devem a recente decisão da executiva nacional do partido de não realizar convenção nem eleição neste ano e ampliar seu mandato até 2012. Para a ex-senadora, isso "vai na contramão do que foi dito na campanha e do compromisso feito perante o País", além de representar a supressão "da pouca democracia ainda existente" no PV. Sem citar nomes, a carta ataca de maneira inequívoca o presidente do partido, deputado José Luiz Penna (SP), no cargo há 12 anos.

Reforma interna. Na reunião do Transição Democrática - da qual participaram 9 dos 14 deputados federais do PV e 8 dos 9 deputados estaduais de São Paulo -, Marina voltou a cobrar um processo de redemocratização. "Que tal começarmos a reforma política pelo nosso próprio partido?" Ela lembrou que saiu do PT e do governo Lula quando percebeu que eles haviam deixado de ser coerentes com as propostas que antes defendiam.

Mais moderado, o deputado Fernando Gabeira (RJ) disse haver "ampla possibilidade de negociação" dentro do PV.

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