Quadrilha de Andinho não foi único alvo de achaques do Denarc

Segundo Ministério Público, o grupo foi flagrado tentando extorquir também um traficante ligado ao Primeiro Comando da Capital

Ricardo Brandt, O Estado de S. Paulo

24 Julho 2013 | 18h48

CAMPINAS - A quadrilha do sequestrador Andinho não foi o única alvo dos supostos achaques praticados por policiais do Departamento Estadual de Repressão ao Narcotráfico (Denarc). Relatório do Ministério Público aponta que, durante as investigações, o grupo foi flagrado tentando extorquir também um traficante ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC) da região de Jundiaí. O caso indica, segundo os promotores, que o esquema envolvia outros policiais do Denarc e era prática sistemática do grupo.

O suposto sequestro ocorreu no dia 28 de maio, quando policiais do Denarc lotados na Delegacia de Investigações Gerais (DIG) levaram de sua casa o traficante Clayton Schimit de Araújo, conhecido como Bornai, que morava em Várzea Paulista. Ele estava com a prisão preventiva decretada a pedido do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), em uma investigação envolvendo o PCC, e era considerado foragido.

Em uma viatura da polícia, Bornai teria sido levado para o Denarc, em São Paulo, mas sem ser apresentado. Ele foi mantido durante toda tarde dentro do carro, na rua, enquanto o pagamento do resgate estava sendo negociado, relata o documento.

Escutas telefônicas e o depoimento do traficante confirmam a tentativa de extorsão, que acabou frustrada após uma equipe do Tático Ostensivo Rodoviário (TOR), da Polícia Militar Rodoviária, prender os comparsas de Bornai com o pagamento do resgate, na rodovia dos Bandeirantes.

Os policiais do TOR suspeitaram de quatro indivíduos, em um Astra preto, na rodovia dos Bandeirantes. Ao abordarem os suspeitos, encontraram R$ 40 mil em dinheiro com o grupo. Eles declararam que estavam no local para pagar policiais que estavam exigindo o dinheiro para soltar o traficante Bornai. Ewerton Caíque Soares, que dirigia o carro, acabou preso porque tentou subornar os PMs.

No dia do suposto sequestro, as escutas telefônicas autorizadas pela Justiça em telefones de membros do PCC flagrou uma conversa que indica que a facção foi acionada para levantar dinheiro para pagamento do resgate.

"Como se tratou de mais um sequestro de integrante do PCC, a situação foi tratada por seus comparsas, que se movimentaram para a arrecadação da quantia de R$ 40 mil", escrevem os promotores.

Gravação feita no dia 28 no telefone de um integrante da facção conhecido como Romarinho, que seria salveiro da região 19, responsável por repassar ordens do PCC aos membros, mostra ele conversando com um homem não identificado sobre o assunto. "Parece que eles estão com o Jogador (como Bornai é chamado) ali e estão querendo 40 reais (...) e que os meninos estão fazendo o recolhe para dar para eles", registra transcrição do MP.

Segundo o relatório do Gaeco, Bornai acabou sendo preso posteriormente pelos policiais do Denarc, após o resgate ter sido apreendido pela PM na rodovia. Bornai foi um dos presos que esteve anteontem no MP em Campinas para reconhecer os policiais.

Soltos

Ontem, dois investigadores do 10º Distrito Policial de Campinas que estavam presos foram soltos. As prisões temporárias deles eram de 5 dias. Elas haviam sido prorrogadas e ontem venceu o último prazo.

Renato Peixeiro Pinto e Mark de Castro Pestana são citados por um traficante liderado por Andinho de receberem mensalmente R$ 5 mil e R$

14 mil, respectivamente, para não coibirem o tráfico de drogas. Seu advogado, Ralph Tórtima Sttetinger Filho, diz que as acusações são de um "traficante delator com intenção de prejudicar dois policiais que combatiam o tráfico no bairro".

Dos 13 policiais que tiveram prisão temporária decretada no dia 15, quatro foram soltos e 3 estão foragidos. Os advogados dos indiciados não foram localizados pela reportagem até o momento.

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