Quadro de alianças ameaça rivais históricos em SP

Cenário eleitoral múltiplo beneficia partidos que até 2008 atuaram como linhas auxiliares de PT e PSDB em todo o Estado

Alberto Bombig, O Estado de S.Paulo

17 Julho 2011 | 00h00

A possibilidade do surgimento do PSD e a declarada intenção do PMDB de lançar um candidato à Prefeitura de São Paulo alteraram o panorama das coligações para as eleições municipais na capital e deixaram de sobreaviso tucanos e petistas, que há mais de uma década ocupam os polos opostos nas disputas no Estado.

Com o lançamento da pré-candidatura de Gabriel Chalita pelo PMDB e o esforço do prefeito Gilberto Kassab, recém-saído do DEM, de criar o PSD, siglas que tradicionalmente se aliavam a tucanos e petistas quase por inércia agora aumentaram seu cacife para negociar eventuais alianças.

O PR, por exemplo, esteve com o PT em 2004, mas agora dá sinais de que não está disposto a uma adesão automática.

O principal líder do PR na capital paulista, o vereador Antônio Carlos Rodrigues, se indispôs com os petistas após três vereadores terem deixado de votar contra interesses de Kassab, de quem Rodrigues hoje é inimigo. Apesar de ser suplente de Marta Suplicy (PT) no Senado, o vereador, reservadamente, diz que está aberto a analisar outras coligações que poderiam "fortalecer o PR em São Paulo" e até ameaça uma candidatura própria.

O PC do B é outro partido na condição de linha auxiliar do PT, mas que está sob intenso assédio de Kassab e também ensaia a candidatura do vereador Netinho de Paula a prefeito. O PSB, integrante do governo Dilma Rousseff, não esconde a possibilidade de se unir ao prefeito se ele indicar o titular da Secretaria do Verde e Meio Ambiente, Eduardo Jorge (PV), para a disputa. Sem essas siglas, restaria aos petistas apenas o PDT e alguns nanicos.

No campo oposto, a situação também é complicada. Os tucanos imaginam já ter garantido o espólio do DEM no Estado, partido abalado pela saída de Kassab. Mas o vice-presidente Michel Temer trabalha por uma aliança dentre demos e peemedebistas em torno de Chalita. Segundo ele tem dito ao comando do DEM, essa seria a única forma de fortalecer as duas siglas no Estado sem depender de PT ou PSDB.

Em Mariana (MG), Kassab minimizou a possível candidatura do ministro da Educação, Fernando Haddad, à Prefeitura, opção defendida pelo ex-presidente Lula. Para o prefeito, o importante é o PT definir o candidato para que o eleitor possa "comparar" as administrações. Ele também voltou a defender o nome de Eduardo Jorge. "Seria um extraordinário candidato e, mais do que isso, seria um extraordinário prefeito." / COLABOROU MARCELO PORTELA

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