Fábio Motta/AE
Fábio Motta/AE

Quatro inocentes morrem e 11 ficam feridos em tiroteios no Rio

Tiroteio intenso na Vila Cruzeiro, na Penha, fez movimento de vítimas crescer no Hospital Getúlio Vargas

Pedro Dantas, O Estado de S.Paulo

24 Novembro 2010 | 19h37

RIO - O intenso tiroteio entre policiais e traficantes na Vila Cruzeiro, na Penha, zona norte do Rio, resultou em mortes de civis sem nenhuma relação com o confronto: quatro pessoas morreram e 11 ficaram feridas, desde o início da onda de violência 26 pessoas morreram. Entre os mortos, estavam um idoso, uma adolescente e uma mulher. A incursão policial começou pela manhã com 100 homens de seis batalhões na Vila Cruzeiro e nos morros da Fé, do Sereno, Caixa D'água e Chatuba, que integram o Complexo da Penha. Muitos tiros depois, três feridos sem gravidade foram atendidos no Hospital Estadual Getúlio Vargas (HGV).

 

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Romário Marques, de 40, foi atingido com um tiro de raspão e teve alta pouco depois. Em seguida, um cabo da PM foi ferido de raspão no braço direito no Morro da Fé. Sem correr risco de vida, ele foi transferido para o Hospital Central da Polícia Militar. O último atingido foi o empresário Álvaro Lopes, de 81 anos, baleado no braço direito. "Estava no pátio da empresa e os empregados gritaram para que eu entrasse. O caveirão (carro blindado da PM) passou, ouvi os tiros e apenas senti o braço ardendo", disse Lopes. Ele foi liberado logo em seguida.

 

À tarde, após a chegada do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope), o confronto ficou concentrado na Vila Cruzeiro. O comércio fechou nas avenidas Brás de Pina e Nossa Senhora da Penha. Do alto da Igreja Nossa Senhora, homens com rádios transmissores em frequência aberta informavam a posição dos policiais para comparsas no interior da favela. Na troca de mensagens, os traficantes se despediam com a frase "UPP é o c...", em referência à Unidade de Polícia Pacificadora (UPP).

  

O tiroteio se intensificou e os feridos e mortos chegaram ao hospital. Desesperado, após saber da morte da filha Rosângela Barbosa Alves, de 14 anos, baleada nas costas, quando voltava da escola uniformizada, o pai dela aplaudiu ironicamente os policiais que estavam no hospital. "Parabéns, a operação de vocês matou mais um inocente", disse ele.

 

Bárbara Carolina Oliveira Silva, 16, também levou um tiro nas costas, um tiro nas costas quando voltava da escola uniformizada, mas estava em observação. Janaína Romualdo dos Santos, de 43, também morreu durante o atendimento. Em seguida, um homem pardo, de 60 anos, ainda não identificado, não resistiu e morreu no centro cirúrgico. Além deles, Rafael Felipe Aurídes Gonçalves, 29, chegou morto ao hospital com tiros no rosto, na cabeça e tórax.

 

No início da noite, o tiroteio perdurava e os feridos continuavam chegando. José Ricardo Rodrigues Lopes, 32, chegou baleado de raspão no antebraço direito, e teve alta. Silvio de Souza Santos, 39, ferido com um tiro na perna direita, permaneceu em observação.

 

Antonio da Rocha, 68, com um tiro no braço esquerdo, também não foi liberado. Gerson Rodrigues de Oliveira, 26 , baleado no braço esquerdo, também ficou internado. Kelly Regina Borges Santos, 25, ferida por estilhaços na nuca, estava sob avaliação até o fechamento desta edição sendo avaliada. Aline Soares de Oliveira, 28, com um tiro na coxa esquerda e Pâmela Evangelista de Matos, 22, tiro na perna esquerda, permaneciam em observação.

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