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Queda de viaduto em Belo Horizonte abre confronto político

Bernardo Caram - O Estado de S. Paulo

04 Julho 2014 | 22h 17

Ministra disse que responsabilidade de fiscalização é da prefeitura; para presidente do PSB em Minas, não se pode culpar prefeito

BRASÍLIA - O desabamento do viaduto Guararapes em Belo Horizonte, obra do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) prometida para a Copa do Mundo, abriu um confronto político entre o governo federal e a oposição acerca da responsabilidade do episódio. 

Nesta sexta-feira, a ministra do Planejamento, Miriam Belchior, responsável pela coordenação do comitê gestor do PAC, saiu a campo para dizer que a responsabilidade pela fiscalização da obra é da prefeitura da capital mineira, governada por Marcio Lacerda, correligionário do candidato a presidente Eduardo Campos (PSB), adversário da presidente Dilma Rousseff na sucessão presidencial."Nós, aqui de Brasília, não temos condição de saber como foi o desenvolvimento da obra, muito menos sobre as causas que fizeram com que ocorresse essa queda do viaduto", afirmou.

Clayton de Souza/Estadão
Um viaduto que estava em construção na Avenida Pedro I, na região da Pampulha, em Belo Horizonte, desabou na tarde desta quinta-feira, 3

A ministra ressaltou que a responsabilidade do governo federal é garantir os recursos necessários para a execução da obra. "A elaboração do projeto de engenharia, a licitação, a contratação e a sua fiscalização são tarefas de quem está executando a obra, que no caso é a prefeitura", disse. A ministra ponderou, entretanto, que ainda é cedo para apontar qualquer responsável pela queda.

Na noite após o acidente, Lacerda (PSB) afirmou que houve erro na construção, mas evitou levantar hipóteses sobre responsabilidade do caso. "A obra teve seu projeto acompanhado por nós. O projeto não foi feito pela Prefeitura. Foi feito pela empresa que ganhou uma licitação para isso, um empresa renomada, de muita tradição, de grande porte e de sucesso no mercado", disse.

O presidente do PSB em Minas Gerais, deputado Júlio Delgado, disse que não se pode culpar o prefeito de Belo Horizonte ou o partido. Ele defende que o caso seja apurado para responsabilizar as pessoas certas, sejam autoridades, técnicos da prefeitura ou a empresa contratada. "Responsabilidade, alguém tem que ter. Não adianta todo mundo querer lavar as mãos agora", afirmou.

A fala de Belchior levou o PSDB também a se manifestar, uma vez que o Estado é o reduto eleitoral do senador Aécio Neves (MG), também candidato a presidente contra Dilma. O candidato a vice na sua chapa, senador Aloysio Nunes (PSDB-SP), disse que a ministra foi precipitada ao frisar que a responsabilidade pela obra é da prefeitura. Ele defende a apuração rigorosa dos fatos antes de qualquer conclusão. "Ela perdeu a oportunidade de ficar quieta", disse.

Ex-aliado do prefeito de Belo Horizonte, o candidato do PT ao governo de Minas, o ex-ministro Fernando Pimentel, evitou fazer avaliações sobre as responsabilidades pelo desabamento do viaduto. O petista foi um dos padrinhos políticos da primeira candidatura de Lacerda ao Executivo municipal, em 2008, ao lado do então governador e atual senador Aécio Neves (PSDB-MG). Na quinta-feira, poupou o ex-aliado de qualquer crítica em relação ao colapso da estrutura. "Imagina! Ninguém pode dizer uma coisa dessas. Não existe nem investigação aberta", declarou o candidato, ao ser perguntado se acreditava na responsabilidade da administração de Lacerda pelo acidente.

O viaduto, que faz parte do projeto de implantação do BRT (Bus Rapid Transit) na Avenida Pedro I, um dos acessos ao estádio Governador Magalhães Pinto, o Mineirão, estava entre as obras planejadas para a Copa do Mundo, mas não ficou pronto a tempo. A inauguração da alça que desabou era prevista para as próximas semanas, depois do fim do campeonato. No acidente, duas pessoas morreram e 22 ficaram feridas. A assessoria de imprensa da prefeitura de Belo Horizonte informou que Márcio Lacerda não iria se manifestar sobre a fala de Miriam Belchior e emitirá nota sobre o acidente apenas após a conclusão da perícia./COLABOROU MARCELO PORTELA 

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