Quem precisa de voto reza por tempo nublado

Sol e calor podem tirar de São Paulo 1,2 milhão de veículos no final da semana que vem, mas muitos podem sair depois de votar

Renato Machado, O Estado de S.Paulo

24 Outubro 2010 | 00h00

Muito mais do que o dever cívico, o clima vai ser um dos principais fatores para definir a quantidade de paulistanos que vai estar na cidade no segundo turno das eleições. Pelo menos é o que indicam as previsões de volume de veículos para o feriado prolongado das principais concessionárias que administram as rodovias que ligam a capital ao interior e ao litoral.

A Ecovias, responsável pela Anchieta e Imigrantes, montou quatro cenários para o feriado, com base nas previsões meteorológicas. São esperados 450 mil veículos rumo ao litoral sul, caso as condições sejam consideradas "ótimas", com temperaturas acima de 30ºC. Nesse caso, mais de 50% dos veículos (265 mil) devem descer na sexta-feira e sábado, ou seja, antes das eleições.

"A eleição tem certo efeito na quantidade de veículos que acessam o sistema, mas nossa base histórica mostra que não é tão determinante", diz o coordenador de planejamento de tráfego da Ecovias, Fábio Ortega. "Mas vamos montar operação para domingo, porque algumas pessoas devem votar e depois viajar." Em fins de semana e feriados, a ocupação média dos veículos costuma ficar entre três e quatro pessoas - pelo menos dois adultos.

As rodovias para o interior também se programam para o fluxo de um feriado normal, sem considerar a eleição. "Caso haja tempo bom, deve se confirmar nossa previsão de 770 mil veículos", diz Fausto Cabral, gestor de tráfego da Autoban, que administra Anhanguera e Bandeirantes.

Por enquanto, a meteorologia aponta que o feriado terá temperaturas amenas e, na maior parte do litoral, haverá céu nublado e chuva fraca. "Mas é cedo para ter certeza. Temos uma frente fria perto do litoral que pode mudar tudo", diz o meteorologista da Climatempo Marcelo Pinheiro.

Especialistas são céticos em relação à importância da abstenção no resultado das eleições. "Pode ser determinante apenas se a disputa for apertada", diz o cientista político da FGV Marco Antonio Teixeira.

Luiz Célio Bottura era presidente da Desenvolvimento Rodoviário S.A. (Dersa) em 1985, ano em que Fernando Henrique Cardoso e Jânio Quadros disputaram a Prefeitura de São Paulo. A eleição foi no dia 15 de novembro, sexta-feira. "Ia ter problema para descer pra Santos, então fui nas rádios e pedi para as pessoas anteciparem a viagem. Aí falaram que influenciei no resultado", lembra. Jânio foi eleito.

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