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Recife também tem Muro das Lamentações

A exemplo do que ocorre em Jerusalém, na mais antiga sinagoga das Américas visitantes costumam deixar bilhetinhos com pedidos e orações

Angela Lacerda, RECIFE,

14 Julho 2012 | 17h25

Resgatada em 1998 por um grupo de historiadores e arqueólogos, a Primeira Sinagoga das Américas, a Kahal Zur Israel, funciona como museu desde 2002 e tem sua sacralidade reconhecida por muitos dos seus visitantes. Em uma analogia com o que ocorre no Muro das Lamentações, em Jerusalém, considerado o recanto mais sagrado do Judaísmo, eles costumam colocar nas frestas das suas paredes sem reboco bilhetinhos com pedidos e orações.

A Kahal Zur Israel funcionou de 1636 a 1654 na antiga Rua dos Judeus - hoje Rua do Bom Jesus - no bairro do Recife Antigo, durante o período de ocupação holandesa. Foi construída por judeus portugueses que, perseguidos pela Santa Inquisição, refugiaram-se depois na Holanda e em outros países, como os Estados Unidos. Em Pernambuco, formaram a Kahal Kadosh Zur Israel, ou Santa Congregação Rochedo de Israel. Na época, esta parte do Brasil era quase extensão da Holanda, com liberdade de culto religioso.

“Fiz meu pedido por algo coletivo, pela paz mundial”, contou a farmacêutica cearense Lia Queiroz, que mudou para o Recife há três anos e conheceu a sinagoga, visitada por uma média de 1,5 mil pessoas por mês. Para ela, qualquer lugar é bom para se pedir pelo bem da humanidade.

A turismóloga pernambucana Rosimar Holanda, que já havia conhecido a sinagoga em uma atividade do curso, reconhece o espaço como um local sagrado e pediu pela família. Os bilhetinhos são respeitados pelos funcionários da sinagoga, que só os recolhem quando eles caem naturalmente. “Mesmo assim, ninguém os abre”, afirma a gestora do museu, que abriga o Arquivo Histórico Judaico de Pernambuco, Tânia Kaufman.

Muralha. O Muro das Lamentações é resquício da antiga muralha que cercava o Templo de Jerusalém, destruída pelos romanos nos anos 70 d.C., após vitória sobre os judeus.

Na mais antiga sinagoga das Américas, suas paredes foram mantidas intocadas e sobreviveram às reformas e alterações feitas no local nos últimos 362 anos, desde o fechamento da sinagoga, depois da expulsão dos holandeses. O fato, segundo Kaufman, aliado à atmosfera de espiritualidade e história, pode ajudar a explicar os pedidos e orações, a exemplo do que ocorre no Muro das Lamentações.

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