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Região estratégica, Maré é rota para Galeão e rodovias

Marcelo Gomes - O Estado de S. Paulo

24 Março 2014 | 21h 27

Área tem 15 favelas, com 130 mil habitantes, e é disputada por 2 facções e uma milícia; pacificação é projeto antigo de Cabral

RIO - A novela sobre a data da pacificação do Complexo da Maré, na zona norte do Rio, se arrasta desde meados do ano passado. Em 4 de julho, o governador Sérgio Cabral (PMDB) afirmou que o conjunto de favelas seria o próximo a ser ocupado pelas forças de segurança. O anúncio foi feito dez dias depois de uma investida do Batalhão de Operações Especiais (Bope) da PM na Maré resultar em dez mortos.

De lá para cá, no entanto, a pacificação da região foi adiada pelo menos três vezes pelas autoridades de segurança do Estado. Antes do Complexo da Maré, foram ocupados o Complexo do Lins, também na zona norte do Rio, a Mangueirinha – única Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) fora da capital –, na Baixada Fluminense, e a Vila Kennedy, na zona oeste da capital fluminense.

Foco. Formado por 15 comunidades com cerca de 130 mil moradores, o Complexo da Maré fica situado em uma região considerada estratégica, por ser cortado pelas três principais vias expressas da cidade: Linhas Vermelha e Amarela e a Avenida Brasil.

O conjunto de favelas é rota obrigatória para quem chega ao Rio pelo Aeroporto Internacional Tom Jobim ou pelas Rodovias Presidente Dutra (BR-116), principal ligação com São Paulo, e Washington Luís (BR-040), e precisa se deslocar para o centro, a zona sul ou a Barra da Tijuca, na zona oeste da capital.

Em 2010, após a ocupação dos Complexos do Alemão e da Penha, também na zona norte, até então considerados o quartel-general do Comando Vermelho, traficantes se espalharam por diversas outras favelas controladas pela facção. Um dos principais destinos dos criminosos que deixaram as áreas ocupadas foi o Complexo da Maré, especificamente as Favelas Nova Holanda e Parque União.

Ao contrário do que acontecia no Alemão e na Rocinha, grandes favelas que eram dominadas por apenas uma facção, a Maré tem seu poder paralelo dividido entre Comando Vermelho, o Terceiro Comando Puro (TCP) e uma milícia.

Nem a instalação de um batalhão da Polícia Militar na Maré (o 22.º Batalhão), ainda no governo Anthony Garotinho, foi capaz de acabar com a guerra do tráfico na região.

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