Religiosos lançam documento de apoio à candidata petista

Manifesto, assinado por católicos e evangélicos, rechaça uso eleitoral da fé e diz que gestões tucanas são 'arrogantes'

Marcelo Auler / RIO, O Estado de S.Paulo

15 Outubro 2010 | 00h00

Encabeçado por sete bispos, entre eles d. Thomas Balduíno, bispo emérito de Goiás Velho (GO) e presidente honorário da Comissão Pastoral da Terra (CPT), foi divulgado ontem um manifesto de "cristãos e cristãs evangélicos e católicos em favor da vida e da vida em abundância", que contava com mais de 300 adesões de religiosos e fiéis. O documento será entregue à presidenciável Dilma Rousseff (PT) segunda-feira, no Rio, no Teatro Casa Grande, na mesma cerimônia em que ela receberá apoio de intelectuais e artistas.

Os adeptos do documento rechaçam que "se use da fé para condenar alguma candidatura" e dizem que fazem a declaração de voto "como cristãos, ligando nossa fé à vida concreta, a partir de uma análise social e política da realidade e não apenas por motivos religiosos ou doutrinais". O texto diz que, "para o projeto de um Brasil justo e igualitário", a eleição de Dilma "representará um passo maior do que a eventualidade de uma vitória do Serra".

O documento recebeu o apoio dos bispos Demétrio Valentini (Jales, SP); Luiz Eccel (Caçador, SC); Antônio Possamai, (emérito de Rondônia); d. Pedro Casaldáliga (emérito de São Félix do Araguaia, MT), além de Xavier Gilles e Sebastião Lima Duarte, emérito e diocesano de Viana (MA). Também assinam o manifesto dezenas de padres e religiosos católicos (entre eles, Frei Betto), pastores Evangélicos, o monge Joshin, da Comunidade Zen Budista (SP), o teólogo Leonardo Boff, o antropólogo Otávio Velho e a professora da USP Maria Victoria Benevides.

O texto traz referência velada a casos de pedofilia nas igrejas para afastar a exigência de candidatos comprometidos com religiões. Os signatários do manifesto ressaltam: "Sabemos de pessoas que se dizem religiosas e que cometem atrocidades contra crianças e, por isso, ter um candidato religioso não é necessariamente parâmetro para se ter um governante justo; não nos interessa se tal candidato(a) é religioso ou não."

O manifesto tenta atrair também eleitores de Marina Silva, presidenciável derrotada do PV, lembrando que um país com sustentabilidade e desenvolvimento humano, como propôs a candidata, "só pode ser construído resgatando já a enorme dívida social com o seu povo mais empobrecido".

Embora admitam terem críticas a alguns aspectos e políticas do governo atual "que Dilma promete continuar", os signatários destacam saber a diferença entre "ter no governo uma pessoa que respeite os movimentos populares e dialogue com os segmentos mais pobres da sociedade, ou ter alguém que, diante de uma manifestação popular, mande a polícia reprimir." O manifesto segue dizendo que, tanto no governo federal como nos Estados, "as gestões tucanas têm se caracterizado sempre pela arrogância" de políticas neoliberais e pela "insensibilidade para com as questões sociais do povo mais empobrecido".

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