Reunião da Funai decidirá destino de índios em praia de Niterói

Moradores da praia de Camboinhas alega que grupo indígena está degradando área de preservação ambiental

Clarissa Thomé, O Estado de S.Paulo

13 Maio 2008 | 16h50

A representação da Fundação Nacional do Índio (Funai) para as aldeias de Angra dos Reis e Paraty se reúne com o Instituto Estadual de Florestas (IEF) na sexta-feira, 16, para decidir o destino dos 38 índios guaranis que se mudaram para Camboinhas, praia de luxo de Niterói, em abril. A Funai defende a permanência da Aldeia Itarypu no local, baseada em literatura que trata da presença de sambaquis (cemitérios indígenas) na região. "A permanência ali é uma reivindicação dos índios e vamos trabalhar para que isso ocorra", afirmou Cristino Cabreira Machado, representante da Funai.   Os índios instalaram-se num trecho entre a Praia de Camboinhas e a Lagoa de Itaipu. Ergueram quatro ocas e uma escola guarani. Estão se preparando para construir mais duas ocas. A associação de moradores do bairro pede a saída dos índios, sob alegação de que eles estão degradando uma área de preservação ambiental permanente.   Machado refuta a acusação. "Há um receio grande com relação à preservação ambiental. Mas é justamente essa presença que vai impedir a degradação da área. E também não é preciso temer a desvalorização imobiliária. A presença da comunidade indígena organizada tende a valorizar os imóveis. Até porque aquela é uma região turística", afirma o representante da Funai.   Uma equipe de técnicos do órgão vai avaliar a situação da Aldeia Itarypu na primeira semana de junho. A reunião com o IEF será para estabelecer as condições da ocupação, já que os índios estão na área do Parque Estadual da Serra da Tiririca.   Os índios deixaram Paraty, no litoral sul fluminense, por conta das dificuldades financeiras e disputas étnicas. Machado explicou que as comunidades guaranis costumam dividir-se em grupos, dentro da mesma aldeia. "Quando alcançam um certo número de pessoas e criam-se novas lideranças, eles procuram outro lugar", explicou Machado. "Não são conflitos, são divergências".

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