Revista da CUT tem anúncios do Banco do Brasil e da Petrobrás

A edição deste mês da Revista do Brasil, vinculada à Central Única dos Trabalhadores (CUT), tem anúncios de página inteira da estatal Petrobrás e do Banco do Brasil. Anteontem, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) proibiu a divulgação da publicação, a pedido da coligação "O Brasil pode mais", que apoia o tucano José Serra e acusa a CUT e outras entidades sindicais de produzir material para promover a petista Dilma Rousseff.

, O Estado de S.Paulo

20 Outubro 2010 | 00h00

"Anúncios publicitários são sempre bem-vindos", disse ontem o vice-presidente da CUT, José Lopez Feijóo. Ele, porém, não quis responder a perguntas sobre a política editorial da publicação. "A revista não é da CUT. Ela tem uma editora responsável, com CNPJ próprio, e quem responde pela revista é ela."

O Banco do Brasil disse ontem que "não informa valores comerciais". "O BB anuncia em mais de 200 revistas, neste total incluídas tanto as de interesse geral, como as direcionadas para nichos empresariais e setoriais."

A Petrobrás também não informa valores. Segundo a estatal, cerca de 0,5% da sua verba publicitária vai para anúncios e ações em federações, confederações, associações de classe e sindicatos.

A desembargadora federal Suzana Camargo, especialista em legislação eleitoral, esclarece que, em tese, nada impede que empresas de economia mista, como a Petrobrás, anunciem em publicações, mesmo que de entidades de classe.

Ela assinala, no entanto, que se ficar comprovado que o anúncio tinha o intuito de financiar indiretamente propaganda eleitoral, as empresas podem ser punidas. "É preciso verificar se a Petrobrás ou o Banco do Brasil tinham o conhecimento que o anúncio serviria para publicidade eleitoral."

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