Rio paga R$ 19,9 mi por área de doador de Paes

A Prefeitura do Rio pagou R$ 19,9 milhões para comprar o terreno de uma empresa de propriedade de dois doadores da campanha de 2008 do prefeito Eduardo Paes (PMDB). O imóvel será usado para o reassentamento da favela Vila Autódromo, na zona oeste, que dará lugar a instalações para os Jogos Olímpicos de 2016.

ALFREDO JUNQUEIRA, BRUNO BOGHOSSIAN / RIO, O Estado de S.Paulo

06 Outubro 2011 | 03h04

Proprietária do imóvel, a Tibouchina Empreendimentos pertence à Rossi Residencial e à PDG Realty. As duas empresas fizeram doações à campanha de Paes. A Rossi contribuiu com R$ 200 mil - o que corresponde a 20% do total que a construtora distribuiu nas últimas eleições municipais. A PDG fez pelo menos nove doações ao prefeito, no valor total de R$ 45 mil, por meio de empresas controladas por ela. A campanha de Paes arrecadou R$ 11,4 milhões.

A Rossi também investiu na campanha do chefe de gabinete de Paes, o vereador licenciado Luiz Antonio Guaraná (PMDB). Foram R$ 60 mil. A Rossi doou ainda recursos para 20 candidatos em 14 municípios em 2008. Paes e Guaraná foram os únicos candidatos a receber contribuições no Rio.

Por notas, a Prefeitura, a Rossi e a PDG negaram qualquer irregularidade e informaram que o terreno foi negociado abaixo do preço de mercado.

Negócios valorizados. Além da venda do imóvel, a Rossi e a PDG vão se beneficiar com a remoção da favela. Três empreendimentos das empresas (dois da Rossi e um da PDG) são vizinhos à Vila Autódromo e deverão se valorizar após a remoção dos barracos.

O empreendimento da PDG, já construído, fica a 1,5 quilômetro da favela, e tem apartamentos de até três quartos com preços a partir de R$ 300 mil. Outro condomínio, a 900 metros, será entregue em 2013.

Valores corrigidos. A compra do imóvel foi concluída em três meses, mas o processo teve reviravoltas. O Diário Oficial da Prefeitura publicou quatro vezes o despacho com os valores da transação.

No dia 29 de julho, a quantia publicada foi de R$ 1,9 milhão. Posteriomente, foram três correções, nos dias 22, 24 e 25 de agosto, com valores de R$ 119 mil, R$ 19 milhões e R$ 19,9 milhões.

A Rossi e a PDG dividem em partes iguais as ações da Tibouchina, de acordo com suas demonstrações financeiras arquivadas na Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

Segundo o relatório da Rossi, os ativos da Tibouchina correspondem a R$ 20,68 milhões. As duas empresas estão registradas no mesmo endereço e têm três integrantes em comum em suas respectivas diretorias - segundo certidões da Junta Comercial de São Paulo. Os documentos mostram ainda que outro diretor da Tibouchina também faz parte da diretoria da PDG.

O processo de compra do terreno para o reassentamento dos moradores da Vila Autódromo ocorreu com dispensa de licitação. De acordo com especialistas ouvidos pela reportagem do Estado, a legislação não exige a realização de licitação para a aquisição de terrenos por parte do poder público.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.