Rio pode ser 1ª grande cidade a virar patrimônio da humanidade

Título normalmente é concedido a comunidades tradicionais ou a áreas rurais, mas não a uma metrópole

Roberta Pennafort, O Estado de S.Paulo

22 Outubro 2008 | 17h56

Se passar pelo crivo da Unesco, o Rio de Janeiro poderá ser a primeira cidade grande do mundo contemplada com o título de patrimônio da humanidade. O Rio integra a lista indicativa brasileira desde 2001, mas, antes de a candidatura ser lançada oficialmente, será preciso delimitar qual área da cidade será incluída - uma vez que, se ela for aprovada, o município e o País deverão se comprometer a preservá-la.   A lista, que inclui candidatos como o Parque Nacional Pico da Neblina, no Amazonas, o Conjunto Arquitetônico da Pampulha, em Belo Horizonte, e os conventos franciscanos do Nordeste, é revista a cada dez anos. Segundo o presidente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Luiz Fernando de Almeida, a relação precisa mesmo ser atualizada.   "Ela não corresponde mais à diversidade do patrimônio cultural brasileiro, pois está muito focada no patrimônio colonial lusitano", explicou Almeida, nesta quarta-feira, 22, em entrevista na cidade. "No caso do Rio de Janeiro, o grande mote é a relação da cidade construída com a natureza. Ainda não estabelecemos um perímetro de gestão. De qualquer maneira, o controle seria muito difícil." Durante a entrevista, Francesco Bandarin, diretor do Centro do Patrimônio Mundial da Unesco, completou: "É difícil, mas não é impossível."   O título normalmente é concedido a comunidades tradicionais e a áreas rurais, mas não a uma metrópole. Buenos Aires chegou a se candidatar, mas voltou atrás. Em 2009, o Brasil apresentará como seu candidato o Caminho do Ouro, em Paraty, no sul fluminense. Almeida, Bandarin e representantes de outros países fizeram um passeio por pontos do centro histórico do Rio, como o Mosteiro de São Bento, a Confeitaria Colombo e o Teatro Municipal.   Eles participaram, na segunda e na terça-feira, de reuniões técnicas promovidas pelo Iphan e pela Unesco para debater possibilidades de fomento a políticas relacionadas ao setor na América Latina, Caribe e países de língua portuguesa da África e da Ásia (o Brasil é porta-voz da América Latina no Comitê do Patrimônio Mundial da Unesco, órgão que delibera sobre o reconhecimento dos bens a serem declarados patrimônio da humanidade).   Durante o encontro, foi discutida a criação do Centro Regional de Capacitação em Patrimônio Cultural, que será sediado no Rio. Na quinta e sexta-feira, será hora de tratar da atualização da lista indicativa.

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