Rio quer tombar túmulos de músicos

Jazigo de Vicente Celestino e Gilda Abreu foi colocado à venda

Clarissa Thomé, O Estadao de S.Paulo

16 Outubro 2008 | 00h00

O Instituto Estadual do Patrimônio Cultural (Inepac) estuda o tombamento do túmulo do cantor Vicente Celestino e de sua mulher, a cantora lírica Gilda Abreu, no Cemitério São João Batista, em Botafogo, zona sul do Rio. A proposta é do Instituto Cultural Cravo Albin. O segundo marido de Gilda, o professor de canto José Spinto, pôs o jazigo à venda. O pesquisador Ricardo Cravo Albin ainda defende o tombamento de outros túmulos de nomes importantes da música brasileira, como Altemar Dutra, Francisco Alves, Carmen Miranda, Clara Nunes e Orlando Silva, numa primeira etapa. "O povo brasileiro reverencia seus ídolos indo ao cemitério. É comovente ver os túmulos desses cantores, no Dia de Finados, coberto por flores. Esse patrimônio não pode ficar à disposição da possibilidade de herdeiros tentarem vender as referências do povo brasileiro", afirma. Um jazigo em área nobre do Cemitério São João Batista é anunciado por até R$ 125 mil. Em alguns casos, o proprietário troca por imóvel. O de Celestino custaria R$ 50 mil. Cravo Albin pretende fazer, com financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj), ampla pesquisa sobre túmulos dos ídolos da MPB. A idéia é mapear vários cemitérios e publicar o trabalho futuramente num inventário. "Algo como só se fez no Père Lachaise, em Paris", diz Albin. O diretor do Inepac, Marcos Monteiro, crê que terá dificuldades para tombar os jazigos, principalmente aqueles que já não têm importância artística e arquitetônica - o de Celestino, por exemplo, foi descaracterizado, com o roubo de um busto em bronze do cantor, em 2004. "Talvez possamos tombar o túmulo, para que não seja modificado, mas sem impedir a família de retirar os restos mortais e revender o jazigo, que é um bem particular", comenta Monteiro. O Estado procurou o viúvo de Gilda Abreu, mas ele não foi localizado.

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