Rodrigo Brancatelli

Sílvia Buarque é Renata Sorrah, 25 anos mais nova. Com uma peruca loira, claro. Na elogiada peça Um Dia, no Verão, que fica em cartaz até o dia 21 no Teatro Sesc Anchieta, as duas atrizes interpretam a mesma personagem, uma mulher que lida com a falta do marido depois que ele desaparece no meio de uma forte tormenta no mar. Primeiro Sílvia vive a situação para, um quarto de século depois, Renata recontar tudo o que viveu - na maioria das cenas, de costas para a platéia. Dirigido por Monique Gardenberg, com texto do norueguês Jon Fosse, Um Dia, no Verão fala basicamente sobre a incomunicabilidade, a falta de compreensão e o sentimento da perda. É um estado de espírito totalmente oposto ao vivido por Sílvia Buarque atualmente - se no espetáculo a personagem vive um inverno sem fim, fora dos palcos Sílvia é uma espécie de verão constante, sempre com um sorriso no rosto. "Acho que estou numa fase ótima, talvez a melhor", diz a atriz, numa tarde igualmente ensolarada de sexta-feira, pouco antes de ir para o teatro com o resto do elenco. "Estou com 38 anos. Sempre falaram que os ?trinta e muitos? anos para as mulheres são especiais. Acho que estou comprovando isso. A peça aqui em São Paulo esteve sempre com casa cheia, estou tocando projetos de que gosto, minha filha está linda, com 2 anos, estou superbem casada (com o ator Chico Diaz)... É um momento ótimo." Sílvia estreou nos tablados há 21 anos, quando o diretor Carlos Wilson a convidou para atuar em Os Doze Trabalhos de Hércules. Fez também novelas, séries, minisséries e filmes - mas sempre mantendo a paixão herdada da mãe, Marieta Severo. "Ah, sou apaixonada pelo teatro mesmo", diz ela, que já planeja engatar uma outra peça no ano que vem, inspirada na francesa Un Air De Famille. "Eu me sinto bem ali."

O Estadao de S.Paulo

13 Outubro 2007 | 00h00

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