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Roger Abdelmassih chega a São Paulo

Bruno Ribeiro - O Estado de S. Paulo

20 Agosto 2014 | 15h 36

Ex-médico foi recebido sob vaias e xingamentos das vítimas; ele foi condenado a 278 anos de prisão pelo estupro de 37 pacientes

Atualizada às 16h47

SÃO PAULO - O ex-médico Roger Abdelmassih chegou por volta das 15h30 ao Aeroporto de Congonhas, em São Paulo, onde passou por exames de corpo delito na tarde desta quarta-feira, 20.  Depois de prestar depoimento, o ex-médico Roger Abdelmassih saiu, por volta das 16h40, do Aeroporto de Congonhas, de onde seguiu com quatro viaturas da Polícia Civil para o Presídio de Tremembé. Abdelmassih, de 70 anos, foi preso na terça na cidade de Assunção, capital do Paraguai. Ele estava foragido desde janeiro de 2011 e foi condenado a 278 anos de prisão pelo estupro de 37 pacientes.

Evelson de Freitas/Estadão
Depois de passar por exame de corpo delito, o ex-médico deve seguir para o Presídio de Tremembé

Abdelmassih foi recebido sob vaias e xingamentos pelas vítimas, que gritavam palavras como "maníaco" e "vagabundo". Houve tumulto e princípio de confusão, já que algumas mulheres tentaram invadir a área isolada pela Polícia Federal. O ex-médico esboçou um sorriso.

"É uma sensação de alívio que nós já tivemos no passado. Mas ainda precisamos esperar a Justiça. De qualquer forma, é uma sensação de vitória", disse a vítima Cristina Silva, emocionada. 

Choro. O delegado Osvaldo Nico Gonçalves disse que o médico Roger Abdelmassih chorou ao ser fichado na Delegacia de Atendimento ao Turista do Aeroporto de Congonhas. "Ele chorou ao falar  da sua vida regressa, da sua mulher, dos seus filhos", disse o delegado.

Ainda segundo o delegado Gonçalves, o ex-médico afirmou que era inocente e que confiava na Justiça para obter sua liberdade. No depoimento, ele confirmou que estava no Paraguai há três anos.

Prisão. Na terça, escoltado por policiais armados com fuzis e vestindo um boné, o ex-médico foi levado para o aeroporto de Assunção, onde foi colocado em um avião da força aérea paraguaia, que levou o foragido até Ciudad del Este, na fronteira com o Brasil. Dali, o ex-médico foi conduzido pelos agentes federais até Foz do Iguaçu, no Paraná, onde passou a noite. 

Um dos maiores especialistas em fertilização in vitro do Brasil, o ex-médico foi preso quando buscava os dois filhos pequenos na escola. Estava acompanhado pela mulher e mãe da crianças, Larissa Maria Sacco, de 37 anos. Três carros com policiais da Secretaria Nacional Antidrogas (Senad), do Paraguai, cercaram o foragido. A polícia do país vizinho era apoiada por homens da Polícia Federal (PF) brasileira.