Roger Abdelmassih volta para prisão

Justiça acolheu pedido do MP e reverteu regime domiciliar na sexta-feira, 30; associação de vítimas do ex-médico se posiciona

José Maria Tomazela, O Estado de S.Paulo

01 Julho 2017 | 07h31

SOROCABA - O ex-médico Roger Abdelmassih, condenado a 181 anos de prisão pelo estupro de pacientes em sua clínica de reprodução,  cumprindo determinação judicial voltou hoje a Penitenciária de Tremembe, no Vale do Paraíba, interior paulista. Ele estava residindo até hoje em seu apartamento, num condomínio do bairro Pinheiros, zona oeste de São Paulo, desde a manhã deste sábado (01).

Abdelmassih estava no apartamento sem escolta e monitorado por tornozeleira eletrônica. Ele deixou o hospital em Taubaté no último dia 23. O ex-médico, de 73 anos, foi beneficiado com o regime de prisão domiciliar depois que laudos apontaram que ele é portador de cardiopatia grave e necessita de cuidados médicos contínuos. Ele foi reconduzido para a Penitenciária por uma escolta policial.

O ex-médico obteve o benefício na quarta-feira (21) de junho, mas permaneceu no hospital para o tratamento de uma infecção urinária. Exames de laboratório mostraram que ele havia adquirido uma bactéria resistente. Como houve melhorias em sua saúde melhorou ele foi  levado de volta para a Penitenciária de Tremembé.    

A juíza Sueli Zeraik de Oliveira Armani, da 1.a Vara de Execuções Criminais de Taubaté, baseou-se no artigo 5.o da Constituição Federal que assegura aos presos "o respeito à integridade física e moral", para autorizar a prisão domiciliar.

Na mesma decisão, ela negou o pedido da defesa de concessão do indulto humanitário - o perdão judicial foi pedido em vista da gravidade das condições de saúde do condenado. O cardiologista Lamartine Ferraz, autor do laudo usado no processo, disse que, apesar de grave, a doença pode ser tratada com medicação. Ele voltou agora a prisão, cumprindo determinação da Justiça paulista, sob a alegação que o tratamento que estaria recebendo em casa, seria o mesmo que ele pode ter na cadeia. 

Desde ontem, quando o Tribunal de Justiça publicou a decisão, o Estado não consegue contato com o advogado de Abdelmassih. 

Em publicação nas redes sociais na noite desta sexta noite, Vanuzia Leite Lopes, criadora da associação de vítimas de Abdelmassih, Somos Todas Vítimas Unidas,  comemorou a nova decisão. “Ele voltou para a cadeia e as vítimas voltam para sua vida normal. Feliz e livre de novo com o monstro estuprador Roger Abdelmassih voltando para a cadeia”, escreveu. Veja vídeo compartilhado. 

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