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'Rolezinho' com tom político reúne 50 pessoas em Niterói

Marcelo Gomes, da Agência Estado

18 Janeiro 2014 | 22h 06

Mais de 800 confirmaram presença no Facebook, mas evento neste sábado teve adesão baixa

RIO - Apesar das mais de 800 confirmações no Facebook, apenas cerca de 50 pessoas participaram do "rolezinho" na noite deste sábado, 18, no Plaza Shopping, em Niterói, na região metropolitana do Rio. O ato, marcado pelo tom político, começou com 40 minutos de atraso e durou pouco mais de uma hora. Os manifestantes não foram impedidos de entrar no shopping, mas foram seguidos o tempo todo por cerca de 20 seguranças, alguns deles à paisana. Alguns repórteres, fotógrafos e cinegrafistas que aguardavam o início do evento do lado de fora foram impedidos de entrar por seguranças e pela assessoria de imprensa do estabelecimento.

Assustados, comerciantes baixaram as portas. A grande maioria das lojas ficou fechada durante a realização do ato. Enquanto os ativistas caminhavam pelos corredores gritando palavras de ordem contra o racismo, a realização da Copa no Brasil, o governador Sérgio Cabral (PMDB) e a presidente Dilma Rousseff (PT), clientes do centro de compras se refugiavam dentro das lojas ou deixavam o shopping. "Olê olê, olê olá, se o racismo não acabar, a Copa eu vou barrar", eles cantavam pelos corredores.

"As lojas só estão fechadas e estamos sendo seguidos por todos esses seguranças porque somos negros e pobres. Se fosse o Eike Batista, a Fifa, ou playboyzinhos de olhos azuis, isso não estaria acontecendo. Essa é a maior prova de que existe sim racismo nesse país", discursou o rapper PC Lima. Ligado ao PSOL, ele foi um dos líderes do movimento.

O rolezinho, no entanto, foi marcado no Facebook pelo advogado Thiago Corrêa, de 29 anos, que está na Argentina e só deve voltar no fim de fevereiro. Em entrevista ao Estado pelo Facebook na última quinta-feira, Lima escreveu: "Criei o evento para debater o tema".

O ato foi pacífico, mas houve princípio de tumulto e bate-boca em quatro ocasiões: quando os manifestantes tentaram entrar em uma loja do Starbucks e foram barrados; quando eles sentaram em mesas na praça de alimentação e seguranças tentaram impedir; quando tentaram entrar em um cinema; e quando passaram em frente à loja de roupas Star Point, onde vendedores seguravam cartazes com os dizeres "Eu trabalho por comissão. Obrigado, rolezinho!".

"Vocês são escravos do capital! Seus salários não compram sua consciência!", gritava uma mulher que participava do ato ao ver os cartazes.

"Quer manifestar, vão para a rua! Eu tenho que bater minha cota! Ficaram aqui chamando a gente de playboy. Isso não é preconceito?", indagou um vendedor da loja, que se identificou como Iago.

Mesmo surpreendidos pela confusão, alguns clientes do shopping decidiram seguir o ato em apoio aos manifestantes. Foi o caso do advogado Flávio Teixeira, de 40 anos, e da revisora de textos Silvia Monteiro, de 43, que haviam marcado se encontrar numa livraria. "Acho legítima (a manifestação), desde que não haja vandalismo", disse Teixeira.

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