Rodrigo Ziebell/SSP
Rodrigo Ziebell/SSP

RS faz megaoperação para transferir líderes de facções para presídios federais

Criminosos que chefiavam crimes de dentro das cadeias foram levados pela FAB a penitenciárias do Mato Grosso do Sul, Rio Grande do Norte e Rondônia

Bibiana Borba, O Estado de S.Paulo

29 Julho 2017 | 04h57

Após cinco meses de planejamento e com efetivo de mais de 3 mil agentes de segurança, o Rio Grande do Sul transferiu 27 dos principais líderes do crime organizado no Estado para penitenciárias federais nesta sexta-feira, 28. Somadas, as penas dos criminosos chegam a 1,2 mil anos de prisão, segundo a Secretaria de Segurança Pública do Estado (SSP-RS). Eles já estavam detidos em presídios estaduais, de onde vinham ordenando muitos dos crimes que provocaram uma escalada da insegurança no território gaúcho desde 2015.

Os 27 presos foram divididos em três grupos, de 9 homens cada um, e levados em um avião da Força Aérea Brasileira (FAB) para as penitenciárias federais de Campo Grande (MS), Porto Velho (RO) e Mossoró (RN). A operação Pulso Firme também pretendia retirar do Estado mais 19 detentos, mas a Justiça negou os pedidos. 

A lista de transferidos inclui bandidos ligados à facção paulista Primeiro Comando da Capital (PCC) que atuaram em tentativas de infiltração do grupo no Sul do País. A maioria tem cargos de liderança nas facções Bala na Cara ou Grupo Anti-Bala - capitaneado pela facção V7 -, que travam uma disputa violenta pelo controle dos pontos de tráfico de drogas em Porto Alegre e Região Metropolitana. Eles têm condenações por homicídios, ataques a bancos, carros-forte, incêndios de ônibus e até a abertura de um túnel para tentativa de fuga do Presídio Central da capital gaúcha.

O secretário estadual de Segurança Pública, Cezar Schirmer, garantiu que o esforço terá continuidade para monitorar prováveis mudanças na hierarquia das facções criminosas. "Existem outros nomes que, embora não tenham sido encaminhados ao sistema prisional federal, em um futuro próximo poderão ter o mesmo destino”, disse.

A operação também cumpriu mandados judiciais fora das cadeias gaúchas, em especial para tentar interromper o acesso dos criminosos ao patrimônio financeiro das quadrilhas, com bloqueio de contas e bens. Além dos órgãos de segurança do Estado, atuaram na ação agentes do Exército e da Força Nacional de Segurança, que tem tropas no Rio Grande do Sul desde setembro de 2016.

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