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São Luís registra novo atentado e polícia apresenta acusados por ataques

Ernesto Batista, Especial para o Estado

05 Janeiro 2014 | 13h 49

Criança de 6 anos, que teve 90% do corpo queimado, continua internada em estado grave

SÃO LUÍS - Um novo ataque a delegacia foi registrado na noite de sábado, 4, em São Luís, capital do Maranhão. A fachada do 8ª Delegacia de Polícia (8º DP), localizada no bairro da liberdade, um dos mais violentos da cidade, foi atingida por disparos de pistola de homens que estavam dentro de um GM Celta. Na sexta, 3, uma outra delegacia, no bairro do São Francisco, também foi alvo de tiros.  Ainda na noite de sexta-feira, cinco ônibus foram incendiados em bairros pobres de São Luís e em um município vizinho. Em um dos atentados, cinco pessoas ficaram feridas.

Dois feridos, uma criança de seis anos que teve 90% do corpo atingido pelas chamas e um homem de 35 anos com 80% do corpo queimado, continuam internados em estado grave e correm risco de morte. As outras três vítimas, entre elas uma outra criança de um ano e quatro meses, também continuam internadas, mas estão fora de risco.

Apresentação. Na manhã deste domingo, 5, a Secretária de Segurança Pública do Maranhão (SSP-MA) apresentou oito acusados de planejar, coordenar e executar os ataques registrados neste final de semana.

Hilton Araújo, de 27 anos, coordenou as ações de fora do presídio. Ele era foragido da Justiça e tinha uma condenação por 20 anos por homicídio. Também foi apresentado, Jorge Henrique Amorim, de 21 anos de idade e conhecido como "Dragão", que estava preso no Complexo Penitenciário de Pedrinhas e é acusado de ser o mandante dos ataques.

Também foram apresentados, Hilderlei Moraes, de 25 anos, Diogo da Silva do Carmo, de 20, Francisco Antonio Lobato Junior, de 18, Hogenilson Souza, Luiz Gustavo do Nascimento e Ismael Caldas de Souza, todos acusados de envolvimento com os ataques.

O secretário de Segurança Pública do Maranhão, Aluízio Mendes, anunciou a criação de uma delegacia que atuará dentro do sistema penitenciário maranhense para investigar os crimes dentro das prisões do Maranhão e afirmou que um homem que teria participado do ataque a delegacia da Liberdade foi preso na manhã deste domingo. "Já sabemos a identidade de outros envolvidos e devemos prender mais envolvidos nas próximas horas", garantiu.

Ainda na noite de sábado, 4, os ônibus rodoviários da capital pararam de circular na cidade a partir das 18h, o que deve se repetir neste domingo e na segunda-feira, 6. Uma reunião está marcada na Secretaria Municipal Trânsito e Transportes (SMTT) para discutir a situação.

Ataques. A nova onde de ataques que a capital maranhense viveu neste fim de semana é um reflexo da reação à crise que o sistema penitenciário maranhense está passando. Este ano já foram registradas duas mortes de presos, além da fuga de um detento.

Os mortos foram Josivaldo Pinheiro Lindoso, de 35 anos, encontrado em uma cela de triagem com sinais de estrangulamento, e Sildener Pinheiro Martins, de 19 anos, que foi vítima de golpes de chuço - instrumentos perfurantes com ponta de ferro e podem ser fabricados pelos próprios detentos - durante briga de integrantes de uma facção criminosa.

No ano passado, 59 detentos foram assassinados dentro do Complexo Penitenciário de Pedrinhas, um recorde que supera o número de mortes registradas nesta prisão entre 2009 e 2012.

A Polícia Militar assumiu logo nos primeiros dias do ano a segurança de Pedrinhas, com apoio de um destacamento da Força Nacional de Segurança, e nas revistas que tem feito desde então apreendeu um arma de fogo, 300 armas brancas, 42 celulares, carregadores de celular, drogas e até listas presos com dívidas com traficantes dentro da penitenciária.

A governadora do Maranhão, Roseana Sarney, tem até esta segunda-feira, 6, para prestar informações ao procurador-geral da República, Rodrigo Janot, sobre as providências tomadas para evitar novas mortes no Complexo Penitenciário de Pedrinhas, em São Luís.

As respostas da governadora poderão subsidiar um eventual pedido de intervenção federal no Estado devido à situação dos presídios. O possível pedido também levará em conta o relatório do Conselho nacional de Justiça (CNJ), que destaca a necessidade de se intensificar a cobrança, para que as autoridades maranhenses cumpram as recomendações feitas pelo próprio conselho, pelo Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) e pela Comissão Interamericana de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos (OEA).

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