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Sapucaí tem desfiles de tom político

Vila Isabel inicia a noite com homenagem ao centenário de Miguel Arraes

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Clarissa Thomé, Roberta Pennafort e Carla Miranda,
O Estado de S.Paulo

08 Fevereiro 2016 | 21h57

Rio - A noite mais forte do carnaval carioca deste ano - Portela, Mangueira, Imperatriz e Salgueiro somam nada menos que 55 títulos -, vai retomar os temas políticos. A Vila Isabel, que acaba de entrar na avenida, contará a vida de Miguel Arraes (1916-2005), três vezes governador de Pernambuco. A homenagem foi sugerida por Martinho da Vila, presidente de honra e um dos autores do samba da escola.

Já a São Clemente promete replicar, ao fim do desfile, os panelaços que tomaram o País no ano passado contra o PT e a presidente Dilma Rousseff, com o carro O Manifesto do Palhaço. Seu enredo é "Mais de mil palhaços no salão."  A autora é a carnavalesca Rosa Magalhães.

Com coreografia de Jaime Arôxa, a comissão de frente da Vila representa no Sambódromo um cortejo fúnebre, com toques típicos do sertão nordestino. Atos políticos de Arraes, chamado de pai Arraia pelos sertanejos, estarão retratados ao longo do desfile, como a luta para que usineiros pagassem salário mínimo aos trabalhadores.

A escola de Vila Isabel também se inspirou nas riquezas naturais e Pernambuco, onde o cearense Arraes viveu boa parte da vida, incorporando caatinga, mangue e praia. Referências de maracatu e frevo vão se misturar ao samba de Martinho, André Diniz, Mart'nália, Arlindo Cruz e Leonel. A noite continua com Salgueiro, com sua "Ópera dos Malandros" povoada de  dançarinas de cabaré, batuqueiros e boêmios. Vice-campeã do ano passado a escola busca o título que não consegue desde 2009, quando tomou a avenida com "Tambor".

Além do protesto - a última ala deve se unir à bateria, batendo em panelas -, a São Clemente vai lembrar os caras-pintadas, marcantes no processo de impeachment do então presidente Fernando Collor de Mello, em 1992. Caras-pintadas e palhaços estarão juntos numa grande manifestação na avenida. 

A Portela, por sua vez, vai narrar parte da história do mundo e a sua própria em um enredo pensado para quebrar o jejum de três décadas sem títulos. Do Egito Antigo às Grandes Viagens dos séculos 15 e 16, da Amazônia ao Deserto. 

A noite será finalizada com duas homenagens: a Imperatriz louva a origem sertaneja da dupla Zezé Di Camargo e Luciano e a Mangueira faz um tributo à religiosidade da cantora Maria Bethânia.

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