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Secretário admite falha de segurança em presídio no Maranhão

Artur Rodrigues / Enviado especial e Ernesto Batista - SÃO LUÍS

11 Janeiro 2014 | 12h 25

Jornalistas entram sem passar por revista e comprovam que é fácil ingressar nas prisões com celulares

O secretário adjunto de Estabelecimentos Penais do Estado do Maranhão, Hamilton Assunção Louzeiro, admitiu neste sábado, dia 11, que houve falha na revista de religiosos e jornalistas que estiveram na sexta-feira, 10, dentro das unidades do Complexo Penitenciário de Pedrinhas.

Na ocasião, cerca de 40 religiosos ligados a diversas denominações entraram nos presídios e prisões do Complexo maranhense dentro do projeto “Ore Pedrinhas”. Dois jornalistas da Folha entraram junto com os religiosos munidos de telefones celulares.

A reportagem do Estado já havia entrado no Presídio São Luís 1 sem passar por qualquer espécie de controle, portando um telefone celular no último dia 7. Também conversou com um detento dentro do sistema usando telefone celular. 

Louzeiro afirmou que o grupo de religiosos entrou na sexta-feira nas diversas unidades ao mesmo tempo e assegurou que todos passam, normalmente, por revista. “Todos os visitantes passam por um equipamento de detecção de objetos e por revista pessoal. Se alguém não foi revistado e entrou com celular houve falha na segurança”, disse.

O secretário comentou que o governo estadual não recuará na decisão de transferir presos para presídios federais apesar da ameaça por presos encarcerados na Central Provisória de Presos (CDP) durante visita de parlamentares da Comissão de Direitos humanos da Assembleia Legislativa do Maranhão.

“O Estado não pode se render. A decisão já está tomada e vão ocorrer as transferências. Estamos trabalhando para manter a ordem dentro e fora dos presídios”, afirmou o secretário adjunto de Estabelecimentos Penais.

Descontrole. A situação do Complexo de Pedrinhas, em São Luís (MA), revelou total descontrole nos últimos dias. Comitivas entraram nos presídios sem revistas e o acesso a telefones celulares é comum. 

A exceção foi apenas para a Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa do Estado, que depois de ter entrado de surpresa no Centro de Detenção Provisória (CDP), foi barrada no Presídio São Luís 1. No primeiro caso, no entanto, as pessoas da comissão também não foram revistadas 

Na sexta-feira, 10, pelo menos três equipes de jornalistas infiltrados em comitivas também furaram o cerco e entraram com celulares.

Neste ano, a Tropa de Choque da Polícia Militar chegou a encontrar uma pistola calibre 380 dentro da prisão, além de várias outras armas brancas. 

O governo do Estado do Maranhão promete verificar as falhas de segurança no presídio. Também afirma que vai investir R$ 131 milhões na construção e reaparelhamento das unidades.

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