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Secretário diz que dez PMs são investigados

Fábio Grellet - O Estado de S. Paulo

23 Abril 2014 | 22h 11

Armas foram recolhidas, mas eles continuam trabalhando. 'Preciso de um mínimo indício para afastá-los', afirma Beltrame

RIO - O secretário de Segurança do Estado do Rio, José Mariano Beltrame, afirmou não descartar nenhuma hipótese. Para ele, o dançarino Douglas da Silva Pereira pode ter sido morto por criminosos ou por policiais. "Não descarto que sejam policiais, mas não posso acusá-los. Não podemos antecipar nenhum juízo de valor", afirmou. As armas dos dez policiais envolvidos no confronto foram recolhidas, mas eles continuam trabalhando. "Preciso de um mínimo indício para afastá-los."

Segundo Beltrame, na noite de segunda-feira, 21, PMs receberam uma denúncia de que um criminoso conhecido como Pitbull, líder do tráfico na favela do Cantagalo, em Copacabana, estava escondido perto da quinta e mais alta estação do plano inclinado (sistema de bondes instalado no morro). Uma patrulha com dez PMs seguiu para o local, mas, ao chegar à segunda estação, foi atacada por um grupo de "cinco ou seis" pessoas armadas inclusive com bombas de fabricação caseira. "Os policiais revidaram, se abrigaram e voltaram à sede da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP), avisaram o seu chefe e registraram o caso", disse Beltrame.

Na manhã de terça-feira, 22, policiais civis e militares fizeram uma varredura no local do ataque e encontraram o corpo do dançarino.

Ação. O secretário acredita que exista uma "ação orquestrada" de traficantes em comunidades hoje ocupadas por UPPs para causar tumultos e lançar a população contra a polícia. "Sem dúvida nenhuma há por trás dessas ações um movimento arquitetado pelo tráfico de drogas. Informações de inteligência já nos permitem chegar a essa conclusão" disse ontem, durante entrevista coletiva. "O tráfico tenta banalizar a atuação da polícia porque se vê enfraquecido, porque vê os territórios saindo de suas mãos."