Andre Dusek, Hélvio Romero e Rafael Arbex/Estadão
Andre Dusek, Hélvio Romero e Rafael Arbex/Estadão

Segurança vai para o centro do debate eleitoral

Presidenciáveis divergem sobre necessidade da medida e propõem desde criação de ministérios à liberação do armamento da população

Adriana Ferraz, Gilberto Amendola e Ricardo Galhardo, O Estado de S.Paulo

17 Fevereiro 2018 | 05h00

SÃO PAULO - O debate sobre Segurança Pública no País está no centro do debate eleitoral. A escalada da violência, registrada por quase todos os Estados brasileiros e não só no Rio, levou os pré-candidatos a defenderem como prioridade zero o combate ao crime. As propostas vão desde a criação de ministério e agência de segurança, ao aumento dos recursos e o armamento da população. 

O deputado fluminense Jair Bolsonaro (PSC), que é contra a intervenção, defende o fim do estatuto do desarmamento e a mudanças na lei de migração. Sobre a intervenção, declarou ao O Antagonista: "É uma intervenção decidida dentro de um gabinete, sem discussão com as Forças Armadas. Nosso lado não está satisfeito. Estamos aqui para servir à pátria, não para servir esse bando de vagabundos". 

Na noite desta sexta-feira, 16, Bolsonaro publicou em suas redes sociais um vídeo em que, segundo ele, falta aos policiais civis, militares, federais e integrantes das Forças Armadas uma "retaguarda jurídica, o excludente de ilicitude em operação" para que, no futuro, não sejam eventualmente julgados por alguma ação que fizeram.

"Defendemos a intervenção, sim, mas não dessa forma, feita nos porões do Planalto, longe dos integrantes da Forças Armadas e longe da cúpula da Polícia Militar e Civil do Rio de Janeiro", disse. "Isso tudo me cheira a mais um remendo apenas e nós querumos algo sério", acrescentou. "A insegurança no Rio de Janeiro tem que ser combatida com energia ou, se for o caso, com mais violência ainda", declarou.

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), usa em seu discurso a taxa do homicídio do Estado, de 8,02 por 100 mil habitantes, como trunfo. É a menor entre os entes da federação. Ele propõe ainda criar uma agência nacional de inteligência, ligada diretamente ao presidente da República com foco no combate ao tráfico de armas, de drogas e lavagem de dinheiro e um ministério para área. " Tirar bandido da rua, ao contrário do que muita gente fala, dá sim resultado". O tucano declarou ontem que a intervenção no Rio foi uma medida "extrema, mas necessária".

Presidenciável do Podemos, Álvaro Dias (PR) considerou a intervenção no Rio uma atitude "lamentável", mas que tem que ser apoiada. "Mas que não seja uma obra de marketing, que não seja uma encenação de natureza política." O senador disse que sua proposta para a área é a uma reforma de Estado que permita destinar recursos para o combate da violência.

Jogo político. O PT, o PCdoB e o PSOL acreditam que a medida é "política" e está sendo usada como uma cortina de fumaça para a reforma da Previdência. O ex-ministro da Justiça Tarso Genro, um dos formuladores petistas para a área, diz que a saída passa pela reconstrução do Pronasci, que previa, entre outras coisas, a criação das UPPs que, segundo Tarso, tiveram a finalidade desvirtuada. 

A pré-candidata do partido à Presidência, Manuela D’Ávila propõe a criação de um fundo nacional para segurança. Já o líder do MTST, Guilherme Boulos (PSOL) critica: "A solução para a violência não é militarizar mais. Nos preocupa muito o que vai acontecer nas comunidades".

O ex-governador Ciro Gomes (PDT), disse que a "motivação é mesquinha e politiqueira", "mas corresponde a súplica da sociedade". Ele elogiou ainda as Forças Armadas. Marina Silva, da Rede, afirmou que a incapacidade administrativa levou a atual situação: "A intervenção reflete a inação de sucessivos governos que negligenciaram a segurança deixando apenas para os Estados a responsabilidade". 

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