Tadeu Vilani/ Ag RBS
Tadeu Vilani/ Ag RBS

Sem maioria, Tarso busca rivais históricos do PT

Com apoio de 18 dos 55 deputados, ex-ministro quer diálogo com PP e PTB, além do PDT, que estava com Fogaça

Elder Ogliari / PORTO ALEGRE, O Estado de S.Paulo

05 Outubro 2010 | 00h00

Poucas horas depois de ser eleito governador do Rio Grande do Sul em primeiro turno pela coligação Unidade Popular Pelo Rio Grande (PT, PSB, PC do B e PR), o petista Tarso Genro começou a buscar apoios para formar uma coalizão que lhe garanta maioria na Assembleia Legislativa e uma gestão sem sobressaltos.

A iniciativa revela uma nova postura do partido como consequência de duas outras situações: o governo de Olívio Dutra (1999 a 2002), isolado por esmagadora maioria oposicionista na Assembleia, e o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que formou ampla coalizão, incluindo antigos adversários.

Mesmo admitindo que havia dormido pouco, o ex-ministro da Justiça ligou cedo para os presidentes do PDT, Romildo Bolzan, e do PP, Pedro Bertolucci, propondo diálogo. Tentou fazer o mesmo com o presidente do PTB, Luis Augusto Lara, mas o telefone estava desligado.

Por ora, Tarso sabe que pode contar com apenas 18 dos 55 deputados estaduais da próxima legislatura. Mas, ao contrário de Olívio, que começou com 20 aliados na Assembleia e não tinha como expandir a base, o governador eleito tem chances de atrair os sete parlamentares eleitos do PDT e acredita poder contar com apoios permanentes ou pontuais de todos ou de parte dos seis do PTB e dos sete do PP.

"Vamos convidar o PDT para compartilhar conosco do governo da Unidade Popular Pelo Rio Grande", afirmou Tarso. A proposta está vinculada às afinidades entre os dois partidos, que chegaram a discutir uma aliança antes de o PDT apoiar José Fogaça (PMDB). Os acenos para o PP e o PTB, adversários históricos do PT, são mais cautelosos. "É uma aproximação que queremos fazer", disse Tarso. "Nós e o PP temos forte base na agricultura familiar e, portanto, há um diálogo pendente a ser feito."

O movimento foi bem recebido pelos dirigentes dos dois partidos. O presidente do PDT disse que há ambiente para o entendimento, mas antecipou ressalvas. "Vamos ouvir as propostas concretas e levar às instâncias partidárias", avisou Bolzan. "Minha posição pessoal é mais favorável ao apoio parlamentar sem participação administrativa."

Bertolucci, do PP, considera superados os tempos belicosos do passado e acredita que há condições de discutir alguns entendimentos que envolvam projetos. "Aquele clima do passado não seduzia investidores", avalia, também com a advertência de que qualquer negociação depende de aval das bases.

Tarso também disse querer dialogar com a oposição, não para convidá-la para uma aliança, mas para "verificar pontos comuns de relacionamento para melhorar o Rio Grande do Sul numa série de questões". O PMDB, o PSDB, o PPS e o DEM estão nesse campo.

Transição. Tarso também anunciou ontem os primeiros passos da formação do novo governo. Inicialmente, será montado um grupo de assessoria técnica, formado por integrantes dos partidos da coligação e também convidados. Entre as tarefas da equipe está a de levantar dados da situação financeira, dos projetos que o Estado apresentou ao governo federal e do orçamento da União.

O grupo também terá de apontar quais são as exigências jurídicas e institucionais necessárias à formação do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social que o futuro governador quer montar no Rio Grande do Sul, a exemplo daquele que ele mesmo estruturou para Lula em Brasília. Também são prioridade a criação da Secretaria de Desenvolvimento Rural e Cooperativismo prometida na campanha e para a montagem de um comitê permanente de negociação com os servidores públicos. "Nossa ideia é fazer esse trabalho interno durante outubro", revelou Tarso. A equipe de transição, que receberá as informações do governo comandado por Yeda Crusius (PSDB), será formada em novembro.

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